Disputa pela cadeira de prefeito em 2024 movimenta as forças políticas do maior município do Estado
Por Clícia Cruz e Ocinei Trindade
A pouco menos de um ano para as eleições municipais o cenário em Campos, partidos e grupos políticos se articulam para o próximo pleito. Na última semana, algumas peças do tabuleiro se movimentaram, com o anúncio do fim da pacificação política entre o governo Wladimir e o grupo liderado pelo clã Bacellar. Após meses de tentativa de harmonia entre o prefeito e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (SD) e a Câmara de Vereadores, a trégua teve fim. Outro diferencial para a eleição é a possível participação da ex-prefeita de São João da Barra e atual deputada estadual, Carla Machado (PT). Também se colocam como pré-candidatos nomes que marcaram presença em outras disputas eleitorais, como o deputado federal Caio Vianna (PSD), a professora Natália Soares (PSOL), o ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania) e o reitor do IFF, Jefferson Marques (PT).
Em pesquisa do Instituto Prefabe Future, veiculada em setembro, o atual prefeito Wladimir aparece com 77% de aprovação, o que, a princípio, o daria certa vantagem sobre os demais pré-candidatos. Porém, as análises ainda são prematuras. Foi medida, ainda, a intenção de votos à Prefeitura de Campos em 2024. No modelo estimulado, Wladimir liderou amplamente a disputa, tendo 66,8% das intenções de voto. Caio Vianna obteve 8,6%; Marquinhos Bacellar 1,6%; Thiago Rangel 0,8%; CVC Direita Campos 0,7%; Professor Jefferson do IFF 0,2% das intenções. Brancos ou nulos somaram 10%. Não sabe ou está indeciso, 10,3%; e 1% dos eleitores não respondeu.
Hoje, Wladimir conta com maioria na Câmara Municipal. Entretanto, o cenário político atual, assim como em 2020, tem se mostrado com discussões acirradas e troca de farpas, especialmente após o rompimento da “pacificação”. A rivalidade entre Garotinhos e Bacellares tem raízes profundas a partir dos patriarcas Anthony Garotinho e Marcos Bacellar. Recentemente, ambos se atacaram por meio das redes sociais. Na sessão do dia 10 de outubro, o presidente da CMCG, Marquinho Bacellar, disse: “a pacificação acabou”.

Rodrigo Bacellar
O presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar, afirma que está conversando com aliados no sentido de apresentar candidaturas majoritárias e nominatas fortes em diversos municípios do Estado, e que a transformação de Campos passa por um debate sério e aberto. “Essa experiência como presidente da Assembleia Legislativa do Rio tem ajudado a abrir muito a minha mente. Tenho conversado com gestores de todo o país. Tenho conhecido ações exitosas em vários setores. Campos tem um potencial gigante e as transformações vão muito além de um nome, de um grupo político. Qual é a marca de Campos hoje? Não tem. Não é cidade das indústrias, não é exemplo em transporte, não tem uma marca na Educação, não tem marca na Cultura, não tem marca no Esporte, não é exemplo em geração de empregos. Por isso, como secretário estadual de Governo fiz questão de colocar Campos como a primeira cidade do interior a receber o policiamento de proximidade do Segurança Presente e trabalhei muito para que indústrias escolhessem Campos para se instalar. E, vale destacar que não acho que só o meu grupo político tem os caminhos e as soluções. Para fazer Campos funcionar é preciso juntar ideias, sociedade e agentes políticos de correntes das mais variadas”, disse Bacellar.

Caio Vianna
Atualmente exercendo mandato de deputado federal, Caio Vianna afirmou ao J3News que pretende novamente estar na disputa pelo poder executivo em Campos. Herdeiro político do pai, Arnaldo Vianna, ex-prefeito e ex-deputado federal, Caio deve participar do pleito pela terceira vez. Na última eleição para prefeito, em 2020, a disputa foi decidida no segundo turno, quando Caio obteve 110.094, somando 47%,60 dos votos válidos.

Carla Machado
O J3News entrou em contato com a equipe da deputada Carla Machado, mas ela não respondeu. Nas redes sociais, Carla agradeceu ao povo de São João da Barra pelos 40 anos de vida pública. Disse que sua experiência contribuirá no processo eleitoral de Campos. “Um velho ditado diz que o bom filho à casa retorna. Pois é, aproveitei para transferir o meu título eleitoral para Campos dos Goytacazes, cidade que nasci e vivi toda a minha juventude. SJB me acolheu aos 18 anos como servidora publica e me elegeu vereadora e prefeita por quatro mandatos. Agora, com 58 anos, me aposento do quadro funcional desse município para contribuir com a minha cidade natal. Participarei no próximo ano do processo eleitoral de Campos de forma ativa, dialogando com a base e unindo esforços com lideranças e com a sociedade”, postou.

Sérgio Mendes
O ex-prefeito Sergio Mendes (Cidadania) afirma ser pré-candidato à prefeitura em 2024. Seu partido está federado com PSDB e, de acordo com integrantes do partido tucano, ainda não houve debate sobre pré-candidaturas para prefeito. “No momento, estamos conversando com algumas lideranças interessadas em comporem a nominata de candidatos à Câmara Municipal. Por outro lado, em sintonia com a direção do partido, tenho dialogado com segmentos diversos da sociedade civil, com membros da academia, profissionais liberais e comunidades, no sentido de ouvir sugestões e demandas. Fui eleito em 1992. Governei Campos quando os royalties mensais eram apenas de R$1,5 milhão em valor atualizado. O governo Wladimir, em média, com mais de R$3 bilhões em arrecadação/ano, na minha avaliação ainda deve muito ao povo de Campos”, diz Mendes.

Natália Soares
Em 2020, a professora Natalia Soares foi a quarta candidata mais votada para a Prefeitura de Campos. Sobre 2024, ela diz que a federação PSOL – Rede monta a nominata de candidaturas a vereador, além de discutir se lançarão candidatura própria à prefeitura ou não. “Ainda estou avaliando a questão e observando como os demais partidos da esquerda estão se preparando. Nossa candidatura de 2020 foi a revelação daquela eleição. Havia poucos recursos financeiros, mas com muita adesão militante. Há um desejo forte numa parte significativa do eleitorado de colocar mulheres negras nos espaços de poder. Precisamos incluir os pobres no orçamento com prioridade. Em todos os temas das políticas públicas isso tem que acontecer. O município carece de um projeto construído de forma coletiva e integrada aos mais pobres”, considera.

Jefferson Manhães
Filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1993, o reitor do Instituto Federal Fluminense, Jefferson Manhães, aparece na bolsa de apostas como pré-candidato a prefeito. “Nossa federação partidária terá uma candidatura em 2024. Pude ouvir, com muita alegria, da presidente nacional do nosso partido, Gleisi Hoffmann, bem como do nosso presidente estadual, João Maurício, que pela sua importância no interior do estado do Rio de Janeiro, Campos será uma cidade estratégica nas eleições. Posso afirmar que estou diretamente empenhado nessa construção do PT de um programa democrático e popular para a nossa cidade, assim como com os demais partidos, dialogando com outras federações e partidos progressistas, com movimentos, organizações e lideranças sociais e comunitárias. Teremos um programa de governo consistente para a disputa eleitoral do próximo ano, trazendo para o centro do debate questões que há muito tempo afligem o povo campista”, diz.

Wladimir Garotinho
O prefeito Wladimir diz que no momento certo escolherá um partido para se filiar e apoiar seu mandato e candidatura. Ele foi convidado pelo Progressistas (PP), partido do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do líder fluminense deputado Dr.Luizinho, mas, ainda não se decidiu. “O nosso governo encontrou um cenário de terra arrasada em janeiro de 2021, com a população sem esperanças e sem serviços, entregas, ações públicas. Com gestão e muito trabalho em equipe conseguimos mudar essa realidade, cuidando de pessoas, criando um ambiente favorável, atraindo investimentos e gerando oportunidades, batendo recordes na geração de empregos. Ficamos honrados com as diferentes pesquisas feitas que mostram a confiança de cerca de 75% da população em nosso governo. Não estamos focando, agora, nas eleições, é cedo ainda, é cenário para 2024. Tenho me reunido com o nosso time de secretários e gestores, e dito a eles que de forma alguma números positivos vão gerar acomodação em mim e na equipe. Queremos fazer mais e melhor. Avalio que o nosso governo está no caminho certo, investindo em Saúde, Educação, Infraestrutura, Desenvolvimento Humano, Esportes e em muitas outras áreas. O nosso governo se dedica a integrar as ações de nosso planejamento com uma visão de gestão para implementar políticas públicas que garantam legado de entregas e realizações que ultrapassem esse tempo”, diz Wladimir.
Perspectiva e análise sobre 2024
O cientista social e analista político José Luis Vianna considera a maioria dos nomes colocados na pré-disputa para prefeito correspondente a todas as filiações desde o ‘Muda Campos’, com o primeiro governo Anthony Garotinho. “Linhagens produziram prefeitos, como Arnaldo Vianna e Wladimir, além de Carla Machado em São João da Barra, município que se confunde com Campos, e ainda o clã Bacellar. Esses nomes representam grupos políticos que têm base eleitoral, máquinas políticas, lastro, história, enraizamento. A perspectiva que se apresenta é que são fortes candidatos em termos das estruturas. A novidade, por ora, é o professor Jefferson Manhães, do IFF. A instituição tem uma possibilidade imensa de constituir o núcleo de uma nova máquina eleitoral que entra em cena”, acredita.
Na observação do especialista, Natália Soares significa outro tipo de novidade que representa a diversidade, movimentos sociais, identitários, e de gênero, e luta pelo antirracismo. “São segmentos que ainda estão esquecidos em Campos eleitoralmente, do ponto de vista mais orgânico, ter uma representação mais próxima deles”. Para José Luís, a aprovação de Wladimir reflete pontos positivos, mas, muito, a ausência de uma disputa aberta, visível, pública: “Este não é um momento eleitoral. Avaliar o prefeito agora é avaliar uma coisa só, não está confrontando-o com outros candidatos que disputam o mesmo lugar. Não podemos subestimar a importância desses 70%, mas do ponto de vista da corrida eleitoral, significa muito pouco, eu diria quase nada, porque numa disputa eleitoral é que vão emergir os candidatos de oposição e seus lastros. Campos tem muitos desafios. Desperdiçou royalties em quantidades bilionárias. A mobilidade é o caso mais grave de Campos, o transporte público. Outro ponto é a questão do desenvolvimento econômico, que no meu entender tem sido atacado de forma absolutamente errada, equivocada. Não souberam aproveitar o ciclo do petróleo e não estão sabendo aproveitar o ciclo do Porto do Açu”, finaliza.
Fonte:J3News


Nenhum comentário:
Postar um comentário