sábado, 24 de maio de 2025

Você está namorando ou foi contratada como babá emocional?

Relacionamentos amorosos devem ser baseados em troca, afeto, respeito e parceria. No entanto, há momentos em que a balança emocional pesa de forma desigual, e uma das partes passa a assumir um papel que vai muito além do que se espera em uma relação: o de “babá emocional”.

A expressão, cada vez mais popular nas redes sociais, refere-se à situação em que uma pessoa precisa constantemente cuidar do outro como se fosse uma terapeuta, conselheira, cuidadora ou até mãe/pai emocional. Nesses casos, o parceiro deposita sobre ela a responsabilidade de lidar com suas inseguranças, traumas, frustrações e desequilíbrios sem oferecer o mesmo suporte em troca. O resultado? Uma relação desgastante, exaustiva e frustrante.

O que é ser uma babá emocional?
Ser babá emocional é estar em um relacionamento onde você se sente mais responsável pelo bem-estar do outro do que pelo equilíbrio da relação como um todo. Você precisa constantemente:

Acalmar crises de ciúmes ou raiva desproporcional.
Assumir a culpa por problemas que não são seus.
Ser compreensiva o tempo todo, mesmo quando suas próprias necessidades são ignoradas.
Ensinar o básico sobre empatia, respeito e maturidade emocional.

Reafirmar diariamente seu amor e comprometimento porque o outro vive inseguro.
Ser o ponto de apoio em todos os momentos, mas não encontrar o mesmo acolhimento quando você precisa.

É claro que em qualquer relacionamento saudável existe apoio mútuo. O problema começa quando esse apoio se transforma em um fardo unilateral, e você deixa de ser parceira para se tornar responsável pela saúde emocional do outro — como se seu amor fosse uma espécie de remédio para todos os males dele.

Como isso começa?
Esse tipo de dinâmica, muitas vezes, se estabelece de forma sutil. No início, pode parecer até romântico: ele desabafa com você, se sente confortável em mostrar vulnerabilidades, pede conselhos. Com o tempo, no entanto, o vínculo afetivo se torna uma dependência emocional.

Você passa a se sentir culpada por querer um tempo sozinha. A cobrança emocional aumenta. Pequenas atitudes suas são interpretadas como rejeição. Você se sente na obrigação de “consertar” o outro, de provar seu amor o tempo inteiro, de mostrar paciência infinita com comportamentos tóxicos justificados por traumas passados.

Quais os impactos?
Assumir o papel de babá emocional pode ser devastador para sua autoestima e saúde mental. A sensação de sufocamento cresce, suas próprias emoções passam a ser negligenciadas e você começa a viver em função do outro.

Além disso, muitas mulheres acabam confundindo esse tipo de relação com um “amor intenso”, quando na verdade estão presas a uma dinâmica de codependência. O medo de magoar, abandonar ou ser considerada insensível leva muitas a se manterem nesse ciclo, mesmo que estejam infelizes.

Amor não é terapia
É importante lembrar: amor não é terapia. É saudável que um parceiro seja sensível às suas dores, que tenha momentos de fragilidade e receba acolhimento. Mas é igualmente essencial que ele busque ajuda profissional quando necessário, que aprenda a se autorregular emocionalmente e que contribua para o equilíbrio da relação.

Ninguém deveria precisar se anular para manter um relacionamento. Amor de verdade é construído por dois adultos conscientes, não por um que assume o papel de salvador e outro que se recusa a crescer.

Como saber se você está nessa situação?
Reflita sobre as seguintes perguntas:

Você sente que precisa “tomar conta” do outro o tempo todo?

Suas próprias necessidades emocionais são deixadas de lado?

Você se sente esgotada após conversas ou interações?

Sente que qualquer conflito vira uma crise desproporcional?

Precisa estar sempre explicando o que é respeito, maturidade e empatia?

Se você respondeu “sim” para a maioria delas, talvez seja hora de rever os limites desse relacionamento.

O que fazer?
Reconheça o padrão: o primeiro passo é admitir que existe uma dinâmica desigual.

Comunique-se com clareza: exponha como você se sente, com sinceridade e firmeza.

Estabeleça limites: amor saudável exige limites claros. Você não precisa ser o alicerce emocional de ninguém.

Incentive a busca por ajuda profissional: você não é psicóloga. Sugira que ele procure terapia.

Reavalie a relação: se após tudo isso nada mudar, talvez seja necessário se afastar para preservar sua saúde emocional. Sugar daddy

Lembre-se: você merece um relacionamento onde há reciprocidade, equilíbrio e crescimento mútuo. Amor não é sacrifício constante — é parceria.


Fonte: Izabelly Mendes.

Nenhum comentário: