Muitas vezes, quem sofre de insegurança não tem consciência do impacto de seus comportamentos. Frases como “Você ainda me ama?”, “Por que não me respondeu?”, “Com quem você estava?” ou “Você parece distante” se tornam frequentes — e, com o tempo, desgastantes. O problema não está em questionar ou buscar aproximação, mas sim na repetição constante disso, baseada no medo e na suposição, não em fatos concretos.
A insegurança surge, em grande parte, por experiências passadas, baixa autoestima ou traumas não resolvidos. Alguém que foi traído anteriormente, por exemplo, pode carregar essa dor para um novo relacionamento, projetando no parceiro atual uma culpa que não é dele. Da mesma forma, pessoas que nunca se sentiram valorizadas podem buscar no outro uma validação constante, tornando o relacionamento uma fonte de angústia em vez de acolhimento.
Esse veneno silencioso se manifesta de várias formas: desde o ciúme excessivo, até o controle do que o outro veste, com quem fala ou onde vai. Pode aparecer também na forma de cobranças emocionais sutis, como a expectativa de que o outro prove amor o tempo todo, esteja sempre disponível ou abra mão de si para “provar” o compromisso. Essa dinâmica gera sufocamento, frustração e, muitas vezes, afastamento.
Quem ama de verdade quer que o outro se sinta livre, confiante e seguro ao seu lado. Mas a insegurança constante faz o contrário: mina a espontaneidade, bloqueia o diálogo sincero e transforma o afeto em um campo minado. O medo de perder alguém pode, ironicamente, ser o motivo pelo qual essa perda acontece. Afinal, ninguém aguenta viver sob constante pressão, desconfiança ou cobrança.
Para reverter esse quadro, o primeiro passo é o autoconhecimento. Entender de onde vem a insegurança é essencial para aprender a lidar com ela. Terapia, conversas honestas e a prática diária do amor-próprio são ferramentas valiosas nesse processo. É preciso aprender que o amor saudável não exige vigilância, mas sim confiança. Que estar com alguém não significa perder-se de si. E que o outro não é responsável por curar as nossas feridas internas.
Relacionamentos maduros são construídos com base em respeito, diálogo e liberdade. A segurança afetiva vem quando ambos sentem que podem ser quem são, sem medo de julgamento, abandono ou punição. Quando há espaço para falar sobre sentimentos sem que isso se transforme em um campo de batalha emocional.
Por isso, se você se identifica com esse padrão de insegurança, saiba que é possível mudar. Não para “segurar” alguém ao seu lado, mas para que você se sinta bem consigo mesmo, independente de quem esteja com você. O amor verdadeiro não floresce em solo instável. Ele precisa de confiança, leveza e reciprocidade para crescer. splove
No fim das contas, amar é correr riscos. Mas viver preso ao medo de perder é o mesmo que nunca se permitir viver o amor em sua plenitude. Escolha confiar. Escolha crescer. Escolha amar sem aprisionar. Porque a maior prova de amor não é o controle, e sim a liberdade.
Fonte: Izabelly Mendes.


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