sábado, 21 de junho de 2025

O perigo das relações onde um manda e o outro obedece

Em um mundo que cada vez mais valoriza a liberdade, o respeito mútuo e a individualidade, ainda é comum encontrar relações afetivas pautadas em uma dinâmica desequilibrada: um manda e o outro obedece. Essa estrutura, muitas vezes mascarada como "papéis definidos" ou "respeito à liderança do outro", pode esconder padrões de abuso emocional, submissão forçada e anulação da identidade.

Embora algumas pessoas possam inicialmente se sentir seguras ou confortáveis nessa configuração — especialmente se cresceram em ambientes onde a obediência era confundida com amor — a longo prazo, essas relações tendem a sufocar, desgastar e até adoecer emocionalmente quem vive sob o comando do outro.

O falso conforto da submissão
É comum que o parceiro que obedece sinta, em um primeiro momento, um certo alívio por não ter que tomar decisões importantes ou assumir responsabilidades. Contudo, esse “conforto” muitas vezes é ilusório. Ele pode ser resultado de baixa autoestima, medo do abandono ou traumas mal resolvidos. O que parece ser tranquilidade, na verdade, pode ser silêncio forçado, repressão de desejos, e um progressivo afastamento da própria essência.

Com o tempo, essa pessoa passa a duvidar de suas capacidades, deixa de sonhar com autonomia e se condiciona a agradar o outro para manter a "paz" na relação. Ela se molda ao parceiro dominante, anulando suas vontades, valores e até seus sentimentos.

A figura de quem manda: controle travestido de cuidado
Quem está na posição de comando geralmente se vê como alguém que “cuida”, “decide o que é melhor” ou “guia” a relação. Mas essa liderança raramente é construída em respeito. Muitas vezes, trata-se de controle disfarçado de zelo. A pessoa dominante define o que o outro pode vestir, com quem pode sair, o que pode dizer, como deve se comportar. O que começa com pequenas “opiniões” vira imposições, ameaças veladas e até punições emocionais — como o silêncio, a culpa e a manipulação.

Essa estrutura pode ter raízes machistas, autoritárias ou simplesmente egocêntricas. Em qualquer caso, ela mina a igualdade, que deveria ser a base de uma relação saudável.

As consequências emocionais desse desequilíbrio
A longo prazo, relações assim podem causar sérios danos psicológicos. A pessoa submissa pode desenvolver quadros de ansiedade, depressão, síndrome do pânico, insegurança crônica e dificuldade de tomar decisões sozinha. Em casos extremos, pode até perder completamente sua identidade, vivendo apenas para agradar e seguir o outro.

Já quem manda pode se tornar cada vez mais autoritário e agressivo, alimentando uma sensação de superioridade tóxica que impede a empatia e o crescimento emocional. Ambos perdem: um por viver oprimido, enquanto o outro por se isolar num pedestal de controle.

Amor não combina com obediência cega
É importante lembrar que amar não é obedecer. Amor saudável pressupõe diálogo, escuta, negociação, concessões mútuas e, acima de tudo, respeito à individualidade. Nenhuma relação equilibrada se sustenta quando um tem voz e o outro apenas acata. É fundamental que os dois tenham liberdade para se expressar, discordar, evoluir juntos e tomar decisões em parceria.

Em relacionamentos saudáveis, não existe "quem manda". Existe quem cuida, quem acolhe, quem ouve e quem caminha lado a lado. Relações maduras são construídas com colaboração, e não com hierarquias sufocantes.

Como sair dessa dinâmica
Se você se reconhece em uma relação onde manda ou obedece, é possível mudar — com autoconhecimento, apoio emocional e, se necessário, terapia. A consciência é o primeiro passo para quebrar ciclos.

É possível reequilibrar a dinâmica com diálogo e ajuda profissional, mas é preciso que ambos estejam dispostos a reconhecer os padrões e fazer mudanças reais. Quando só um tenta, a balança continua pendendo para o mesmo lado. sp love

Conclusão
Relacionamentos onde um manda e o outro obedece podem até parecer funcionais por fora, mas são silenciosamente destrutivos por dentro. O amor verdadeiro não precisa de hierarquia, e sim de parceria. O equilíbrio está no respeito mútuo, na escuta ativa e na valorização das duas vozes. Porque numa relação onde só um fala, o silêncio do outro grita por socorro.

Fonte: Izabelly Mendes.

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