sábado, 2 de agosto de 2025

A Influência da Infância nas Relações Amorosas

As experiências da infância são a base da nossa construção emocional. É nesse período que aprendemos, por meio do convívio com nossos pais ou responsáveis, o que é amor, cuidado, rejeição, afeto e abandono. Essas vivências não desaparecem com o tempo — elas moldam, de forma silenciosa mas poderosa, a forma como nos relacionamos na vida adulta, especialmente no campo amoroso.

A criança que fomos vive, muitas vezes, dentro do adulto que somos. Quando entramos em um relacionamento, não levamos apenas quem somos hoje, mas também tudo o que aprendemos (ou deixamos de aprender) sobre o amor lá atrás. Por isso, pessoas que cresceram em lares com afeto consistente, apoio emocional e segurança, tendem a desenvolver relacionamentos mais estáveis. Já aquelas que vivenciaram negligência, críticas constantes ou ausência emocional, podem carregar traumas e carências que dificultam o envolvimento afetivo saudável.

Um dos aspectos mais estudados nesse contexto é o estilo de apego, que se forma nos primeiros anos de vida. Crianças que foram acolhidas com empatia e previsibilidade costumam desenvolver um apego seguro, o que facilita a construção de relações adultas baseadas em confiança, comunicação e equilíbrio emocional. Já quem teve figuras cuidadoras instáveis, ausentes ou controladoras pode desenvolver estilos de apego ansioso ou evitativo — padrões que causam medo de rejeição, necessidade de constante validação ou, ao contrário, resistência à intimidade.

Esses padrões aparecem de diversas formas: ciúmes excessivo, medo de abandono, dificuldade em confiar, tendência a se anular para agradar, ou ainda o hábito de se afastar quando as emoções se intensificam. Em muitos casos, repetimos no presente o que vivemos no passado, sem perceber. É como se estivéssemos tentando “corrigir” antigas feridas, buscando no parceiro aquilo que nos faltou — atenção, aceitação, segurança.

Além disso, as mensagens que recebemos na infância sobre o amor também influenciam nossas escolhas. Frases como “homem não chora”, “amar é sofrer” ou “ninguém vai te querer se for assim” criam crenças limitantes que moldam nossa autoestima e expectativas em relação ao outro. Muitas pessoas crescem acreditando que precisam se sacrificar para serem amadas ou que nunca serão boas o suficiente, e essas ideias sabotam a possibilidade de viver um amor saudável.

Mas a boa notícia é que os padrões não são sentenças. Mesmo que a infância tenha deixado marcas dolorosas, é possível reescrever a forma como nos relacionamos. O autoconhecimento é a chave para essa transformação. Quando reconhecemos as origens dos nossos comportamentos e emoções, ganhamos liberdade para fazer escolhas diferentes. garota com local

A terapia pode ser uma grande aliada nesse processo. Com ajuda profissional, é possível ressignificar memórias, curar feridas emocionais e desenvolver uma nova forma de amar — mais consciente, segura e equilibrada. Também é essencial investir em amor-próprio, estabelecer limites saudáveis e escolher parceiros que respeitem quem somos de verdade.

A infância influencia, mas não define. Ela planta as primeiras sementes, mas somos nós que decidimos como queremos cultivar nossos vínculos daqui em diante. Ao olhar com compaixão para a criança que fomos e com responsabilidade para o adulto que queremos ser, podemos construir relações mais maduras, honestas e nutritivas.

No fim, amar bem o outro começa por aprender a cuidar de si — inclusive das partes que, um dia, não foram cuidadas.

Fonte: Izabelly Mendes.

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