O amor ideal é alimentado por expectativas irreais. Nesse modelo, o parceiro perfeito existe, o relacionamento é sempre harmônico, e os sentimentos são intensos e inabaláveis. Há pouca margem para falhas, para dúvidas ou para as nuances da vida cotidiana. Espera-se que o outro adivinhe necessidades, cure feridas antigas e esteja sempre disponível. Essa visão cria frustração, porque nenhum ser humano consegue sustentar esse nível de perfeição — e nenhum relacionamento consegue viver apenas de idealizações.
Já o amor real é imperfeito, mas profundamente verdadeiro. Ele reconhece que as pessoas erram, que há dias difíceis, que nem sempre se sente o mesmo entusiasmo. Mas, ainda assim, escolhe ficar, cuidar e crescer junto. No amor real, não há perfeição — há esforço mútuo, escuta, respeito e compromisso com a construção da relação.
A diferença entre o amor ideal e o real está, sobretudo, na expectativa versus aceitação. O ideal espera que o outro preencha todas as lacunas emocionais. O real entende que ninguém tem a obrigação de nos completar — um relacionamento saudável é feito de dois indivíduos inteiros, que se escolhem sem se anular. Enquanto o ideal exige intensidade constante, o real valoriza a constância, a paz e o cuidado cotidiano.
O amor ideal também tende a confundir paixão com profundidade. Acredita que, se o frio na barriga passou, algo está errado. Já o amor real sabe que o calor da paixão inicial se transforma em algo mais estável: companheirismo, intimidade, confiança. Ele entende que o amor não é só sentir, é também agir — especialmente nos momentos em que o sentimento não está em alta.
Outro ponto essencial é que o amor ideal costuma evitar conflitos. Acredita que brigas são sinais de fracasso. Mas o amor real sabe que diferenças existem e que o enfrentamento saudável é parte do crescimento a dois. O problema não está em discutir, mas em como se discute — e na disposição de compreender e evoluir com isso.
Desconstruir o amor ideal é libertador. Permite enxergar o outro como ele é, com suas qualidades e defeitos. E, principalmente, permite olhar para si mesmo com mais compaixão. Afinal, todos somos imperfeitos tentando amar do melhor jeito possível. O amor real nasce quando aceitamos essa humanidade — no outro e em nós.
Isso não significa que o amor real é sem encanto. Pelo contrário, ele é cheio de beleza: nos pequenos gestos, nos silêncios compartilhados, nos reencontros após os desentendimentos. Ele não precisa ser épico para ser verdadeiro. Precisa apenas ser vivido com presença, verdade e vontade mútua de cuidar. casamento
Em resumo, o amor ideal habita os sonhos; o amor real, a vida. Um encanta, o outro sustenta. Um promete perfeição, o outro oferece profundidade. E, quando escolhemos abrir mão da fantasia para viver o que é real, encontramos algo muito mais poderoso: a possibilidade de amar e ser amado de forma inteira, humana e verdadeira.
Fonte: Izabelly Mendes.


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