domingo, 24 de maio de 2026

Prisões de Bacellar e Rangel ampliam debate eleitoral

Com o calendário eleitoral já em curso, futuro político de ambos segue sendo alvo de especulações

Por Ocinei Trindade
Rodrigo Bacellar
Thiago Rangel
Fotos: Silvana Rust/Reprodução do Instagram

As prisões preventivas do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) e do ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), ambos de Campos dos Goytacazes, movimentam os cenários político e jurídico. Investigações distintas da Polícia Federal sobre supostos crimes praticados por ambos levaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar as prisões por tempo indeterminado. Ainda há investigações em andamento. Bacellar foi preso pela primeira vez em 3 de dezembro de 2025 novamente em 27 de março. Já Rangel, em 3 de maio. Suas defesas atuam para retirá-los da prisão, para que respondam aos processos em liberdade. Enquanto isso não acontece, o futuro político de ambos é alvo de especulações.

A prisão de Rodrigo Bacellar integra a Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas relacionadas a ações contra o Comando Vermelho. Ele está no presídio de Bangu. Segundo decisão do STF, há indícios de envolvimento de Bacellar em organização criminosa, vazamento de dados sigilosos, tentativa de frustrar operações policiais e orientação para retirada de provas, fatores que, somados à sua influência política, teriam justificado a medida cautelar. Também foram denunciados o deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, além do desembargador federal Macário Neto e de outras duas pessoas.

A Polícia Federal investiga o deputado estadual Thiago Rangel por suspeitas de caixa 2, distribuição de cargos e fraudes ligadas a contratos públicos. Entre as provas está um vídeo com uma mala contendo R$ 500 mil, que, segundo a PF, faria parte de um suposto esquema de financiamento político, incluindo a campanha da sua filha e vereadora Thamires Rangel (PMB), envolvendo R$ 2,9 milhões num esquema com o ex-presidente da Alerj. A apuração inclui ainda mensagens de um suposto operador financeiro, suspeitas de influência em cargos públicos e fraudes em postos de combustíveis ligados a Thiago Rangel. As defesas de Thiago Rangel, Thamires Rangel e Rodrigo Bacellar negam irregularidades e envolvimento nos fatos investigados.

A investigação da Polícia Federal sobre o deputado Thiago Rangel inclui, ainda, suspeitas de irregularidades na Empresa Municipal de Habilitação de Campos (EMHAB) entre 2021 e 2022, período em que presidiu o órgão da Prefeitura de Campos. Segundo decisão do STF baseada na apuração da PF, há indícios de manipulação de contratos, uso irregular de dispensas de licitação, desvio de recursos e possível lavagem de dinheiro ligada a postos de combustíveis. A investigação também cita atuação de aliados e indiciamentos por crimes como organização criminosa, peculato e fraude em licitações. A defesa de Thiago Rangel nega as acusações e afirma que provará sua inocência.

Decisão jurídica e futuro político
Segundo o advogado criminalista Felipe Drummond, a prisão preventiva pode ser decretada tanto durante as investigações quanto no curso do processo, desde que existam requisitos legais que justifiquem a medida. Ele explica que a prisão é cabível quando a liberdade do investigado representa risco à sociedade, à ordem pública ou econômica, ou ainda quando há possibilidade de interferência no andamento do processo, como destruição de provas, ameaça a testemunhas ou fuga.

“Embora a prisão preventiva não tenha prazo máximo fixado em lei, isso não significa prisão indefinida. Segundo entendimento do STF, a duração da medida deve considerar fatores como a complexidade do caso, o número de investigados e a atuação efetiva do Estado na condução das investigações e do processo”, afirma.

Em ano eleitoral, são especuladas as possíveis participações de Rodrigo Bacellar e de Thiago Rangel no pleito, direta ou indiretamente. Para o analista político e articulista Rodrigo Lira, as prisões e investigações envolvendo agentes políticos podem gerar impactos relevantes na imagem pública e no cenário eleitoral, atingindo não apenas os envolvidos, mas também grupos e partidos aos quais estejam ligados.

“Do ponto de vista jurídico, a possibilidade de candidatura depende das condições legais de cada caso, já que prisão, por si só, não implica inelegibilidade automática. Politicamente, porém, episódios desse tipo costumam provocar desgaste, reconfigurar alianças e abrir espaço para mudanças no cenário local, especialmente em cidades como Campos, marcadas por lideranças com forte capital eleitoral”, diz.

De acordo com nota da Alerj, o deputado Thiago Rangel teve o nome retirado das listas de presença e dos sistemas após decisão da Mesa Diretora que determinou seu afastamento. “O parlamentar permanece afastado enquanto vigorar a medida cautelar referendada pela Primeira Turma do STF, que também motivou a destituição de seu gabinete. Sem previsão legal para convocação imediata de suplente nesse tipo de caso, a Mesa Diretora solicitou parecer da Procuradoria da Casa para analisar a recomposição do quórum de 70 deputados”, finaliza.
J3News

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