domingo, 6 de setembro de 2026

Campos tenta recuperar representação em Brasília

Candidatos a deputado federal apresentam propostas e disputam a preferência dos eleitores do município

Por Leonardo Pedrosa


Campos tem um dos maiores eleitorados do interior do Estado do Rio de Janeiro, mas chega a mais uma eleição sem um deputado federal eleito diretamente pelo município. A disputa deste ano reúne uma lista extensa de candidatos nascidos em Campos, enquanto nomes de outras cidades também buscam apoio político e votos entre os cerca de 370 mil eleitores campistas.

A divisão da disputa aparece não apenas no número de candidatos, mas também nos apoios. Vereadores e lideranças locais estão divididos entre diferentes nomes, inclusive dentro dos próprios partidos.

A reportagem ouviu os candidatos campistas sobre suas prioridades para o município. Os nomes abaixo consideram como critério ter nascido em Campos, mesmo nos casos em que a trajetória política tenha sido construída também em outras cidades.

O que eles dizem


Caio Vianna (PSDB) — “Filho do melhor prefeito da história de Campos, carrego como referência o compromisso do meu pai com a cidade, mas venho construindo minha própria trajetória política. […] Quero ampliar esse trabalho [mandato como suplente de deputado federal], atrair novos investimentos e garantir uma representação ainda mais forte de Campos em Brasília. Também atuei como relator de proposta sobre a destinação dos royalties do petróleo, defendendo recursos para áreas como educação, ciência e tecnologia. Entre as bandeiras está a proibição total das bets no Brasil, diante dos seus impactos sociais e financeiros sobre milhares de famílias. Também proponho o Marco Nacional do Mediador, para garantir mediadores em tempo integral nas escolas públicas e assegurar que crianças no espectro autista tenham plena participação na rotina escolar”.



Delegada Madeleine (União Brasil) — “Campos é uma cidade com enorme potencial. Temos petróleo e gás, agricultura, comércio, serviços, universidades, produção e gente preparada para trabalhar. Precisamos transformar esse potencial em mais oportunidades para quem vive aqui. (…) Emenda parlamentar não pode ser apenas um número anunciado. O recurso precisa chegar onde existe necessidade, ser acompanhado e produzir resultado para a população. Quero trabalhar com transparência e prestar contas sobre aquilo que for destinado. (…) Campos é minha origem. Foi aqui que nasci, construí parte importante da minha carreira e comecei minha trajetória eleitoral. Quero representar todo o Rio de Janeiro em Brasília, mas tenho uma responsabilidade especial com a minha cidade, com o Norte e com o Noroeste Fluminense”.



Delegado Felício Laterça (NOVO) — “Trabalhei incansavelmente em Brasília e trouxe grandes investimentos para Campos e toda a região. Destinei R$ 1 milhão ao Polo de Inovação do IFF Campos, para a aquisição de prototipadoras, bancadas industriais e impressoras 3D. Garanti R$ 500 mil para a construção do Ambulatório de Enfermagem do IFF Guarus. Na área da saúde, enviei R$ 1 milhão ao Hospital Ferreira Machado e R$ 11 milhões à Santa Casa de Misericórdia de Campos. (…) Se eleito, pretendo investir muito no município de Campos, ouvindo as demandas da população e trabalhando, em Brasília, pela destinação de recursos e pela criação de políticas públicas que fortaleçam a segurança pública e privada e valorizem os profissionais da área”.


Leon Gomes (PDT) — “Eu sou Leon Gomes, pai atípico e candidato a deputado federal. Minha luta pela inclusão começou dentro da minha casa e se tornou uma missão: defender os direitos e a proteção das pessoas com deficiência e das famílias atípicas. Em Brasília, quero garantir emendas parlamentares para fortalecer a inclusão na saúde e na educação, ampliando o acesso às terapias, ao atendimento especializado, à educação inclusiva e à capacitação dos profissionais. […] E uma das minhas principais lutas será pela mudança das regras do BPC/LOAS, para que famílias atípicas, principalmente mães solo, possam buscar outra fonte de renda sem perder automaticamente o benefício da pessoa com deficiência”.


Miguelito Machado (PSB) — “Trabalhar o 14×21 na Bacia de campos. Usar a universidade UENF para medicina ou o fundo do trabalhador, o FAT, para qualificar criando bolsas, no transporte público, lutar para que Campos tenha um programa como antigamente, o CTC, junto do Estado, Prefeitura e Governo Federal. Na segurança pública, qualificar os presos (…) e por fim ajudar, junto do CDL [Câmara de Dirigentes Lojistas], a criar uma forma de revitalizar o comércio não só de Campos, mas de todo Estado. Trabalhar para criar bases de apoio aos crônicos renais, olhar os autista aumentando verbas para contratar mais profissionais (…) Lutar pela oncologia”.


Papinha (AVANTE) — “Nosso principal projeto através das emendas impositivas, que todo Deputado Federal tem direito, é construir um hospital federal do câncer em Campos para atender todos os pacientes evitando a transferência para outros Estados e municípios, o que vai beneficiar também os familiares na locomoção e despesas”.


Professor Ralph (NOVO) — “Ao eleitor de Campos dos Goytacazes, venho oferecer algo que esta cidade precisa recuperar: coragem. Eu sou o cidadão comum que decidiu enfrentar um sistema político baseado em sobrenomes, privilégios e relações de dependência. (…) Em Brasília, vou lutar por menos impostos, menos burocracia e um ambiente econômico que permita às empresas investir, aos empreendedores crescer e aos trabalhadores conquistarem sua independência daqueles que possam se sentir seduzidos a trocar emprego por votos. (…) Eu vou defender a família, porque acredito que sociedades fortes são construídas por famílias fortes, sustentadas por valores, responsabilidade, respeito e compromisso”.


Vitor Júnior (PDT) — “Como deputado estadual, garanti emendas parlamentares para Campos. São recursos destinados à aquisição de ambulância, à reforma do Colégio Estadual Professor Herval de Souza Tavares, em Vila Nova, ao fortalecimento das ações da Apape, que atende famílias atípicas, e ao projeto Orquestrando a Vida, que vem transformando a realidade de centenas de jovens por meio da música. Agora, quero ampliar esse trabalho como deputado federal e garantir que Campos tenha uma voz forte em Brasília, buscando mais recursos e investimentos para a cidade. O transporte público será uma das prioridades (…) Também vou trabalhar pelo fortalecimento da Saúde e da Educação, defendendo mais investimentos, ensino em tempo integral, qualificação profissional e iniciativas que gerem emprego e renda”.


Wladimir Garotinho (PL) — “Quero ser o deputado do interior. Brasília precisa olhar para quem produz e fazer o Brasil real acontecer na ponta. Meu gabinete estará de portas abertas para construir, junto com prefeitos e lideranças, o futuro que a nossa região merece. Vamos investir na saúde, na infraestrutura e no bem-estar de quem vive fora dos grandes centros. Mais do que isso, vou trabalhar incansavelmente pela derrubada do veto à Lei do Semiárido — de minha autoria —, que será a verdadeira redenção econômica e social para o Norte e o Noroeste Fluminense”.

Não retornaram os contatos da reportagem os candidatos Jonas Artigo Um (DC), Luciano Alves (Republicanos) e Manuel Neto (MDB).
Jonas Artigo Um
Luciano Alves
Manuel Neto

Marquinho Bacellar, do União Brasil, não levou a candidatura adiante e consta como inapto. Ele anunciou apoio a Antonio de Rueda, presidente nacional do partido. Luciano Freitas (Democrata), também consta como inapto para o pleito.

Apoios e disputa pelos votos
A divisão aparece entre os grupos políticos de Campos. No PP, todos os vereadores do partido (Bruno Pezão, Doutor Maninho, Fred Rangel, Juninho Jubiraca, Kassiano Tavares e Sub Jackson) declararam apoio a Wladimir. No Republicanos, porém, há posições diferentes: Dudu Azevedo está com Wladimir, enquanto Anderson de Mattos apoia Luis Carlos Gomes, do próprio partido. No MDB, Paulo Cothé apoia Gutemberg Reis, enquanto Marcione da Farmácia está com Wladimir. O presidente do partido, Silvinho Martins, também caminha com Wladimir.

No Solidariedade, Ciro Rocha apoia Wladimir, enquanto Rogério Matoso declarou apoio a Juninho do Pneu. No Podemos, Fernando Machado e Pastor Marcos Elias estão com Wladimir. Já no PDT, Filipe Coutinho apoia Dani Cunha, enquanto Luciano RioLu tende a apoiar Wladimir. No União Brasil, Dandinho de Rio Preto apoia Murillo Gouvêa, do PSDB.

No PSD, Bruno Vianna declarou apoio a Daniel Soranz. A base do PT no município apoia Reimont para deputado federal, dentro da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, mas os candidatos Diego Zeidan (PT) e Marcos Abrahão Filho (PSB) subieram em palanques na cidade com Maicon Cruz (PV), que disputa vaga pela Alerj.

No PL, Nildo Cardoso e Abdu Neme também apoiam o ex-prefeito de Campos. Thamires Rangel, do Democrata, não declarou apoio.

O cenário mostra que os cerca de 370 mil votos de Campos não estarão concentrados em um único grupo. Candidatos de outras cidades também construíram alianças locais e tentam conquistar uma parcela desse eleitorado.
Rodrigo Lira (Foto: Reprodução)

Para o doutor em política Rodrigo Lira, eleger um deputado com forte vínculo com Campos pode facilitar a articulação política, a atração de recursos, a destinação de emendas e a defesa de projetos estratégicos para o município e a região. Mas, segundo ele, nascer em Campos não é suficiente para garantir um bom mandato.

“O ideal é que a cidade consiga reunir as duas coisas: um representante com raízes locais e, ao mesmo tempo, com qualidade, capacidade política e visão de país”, avalia.

Lira chama atenção ainda para a divisão dos votos. “Com vários candidatos locais e lideranças apoiando nomes de outras regiões, fica mais difícil concentrar votos em um candidato competitivo. Mas isso faz parte da democracia. O eleitor campista não tem obrigação de votar em alguém apenas porque esse candidato é de Campos”, afirma.

Para o especialista, a pergunta que deveria orientar a escolha talvez seja outra: “quem está mais preparado para representar Campos, o Norte Fluminense e contribuir efetivamente para o Brasil?”
J3News

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