Fornecedores reclamam da falta de pagamento dos serviços prestados no período em que a unidade foi erguida, mas que nunca funcionou

Hospital de Campanha em desmontagem, apesar de nunca ter funcionado em Campos (Foto: JTV)
Nesta sexta-feira (21), foi dado prosseguimento ao desmonte do Hospital de Campanha erguido em Campos dos Goytacazes pelo governo estadual. Já houve protestos e indignação de setores da sociedade nos últimos dias, já que a unidade não chegou a funcionar em nenhum momento durante a pandemia do novo coronavírus. A reportagem do Terceira Via conversou com o empresário Rafael Chaves. Ele é um dos prestadores de serviços que atuaram na montagem do hospital. Todos se queixam de não terem recebido o pagamento por parte do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) e da Secretaria Estadual de Saúde, responsáveis pela obra.“Prestamos atendimento durante a montagem do hospital com um caminhão munck de nossa empresa. Foram vários dias intercalados de transporte. A empresa é familiar. Eu, meu pai e meu irmão trabalhamos por muitas vezes, e ainda não recebemos pelo serviço prestado”, comentou Rafael. Ele não informou o valor da dívida que o Iabas e a Secretaria Estadual de Saúde possuem com sua empresa. “Conheço pelo menos dez empresas que trabalharam e não receberam”, disse.A reportagem entrou em contato com o Iabas para comentar sobre a desmontagem do Hospital de Campanha e sobre a dívida com os fornecedores, porém não houve resposta. A Secretaria Estadual de Saúde também foi questionada e se manifestou por meio de nota. Foi informado:“A Secretaria de Estado de Saúde (SES) tem o entendimento de que o desmonte das estruturas estava previsto no contrato com o Iabas, para o qual já foram destinados R$ 256 milhões. O contrato está judicializado. Apenas uma auditoria judicial no contrato poderá determinar se a organização social ainda tem algo a receber pelos serviços prestados ou se, por outro lado, deverá devolver dinheiro ao governo do estado. A Fundação Saúde ficará responsável pela resolução dos problemas administrativos decorrentes da interrupção do contrato com o Iabas, inclusive com fornecedores. Todos os trabalhadores com serviços efetivamente prestados e comprovados em prestação de contas serão pagos”.
Nenhum prazo foi estipulado ou mencionado na nota oficial da Secretaria Estadual de Saúde. Na quinta-feira (20), um grupo de empresários protestou em frente à unidade que era desmontada. O hospital de campanha começou a ser desmobilizado na quarta-feira (19). No mesmo dia, o município ultrapassou a marca dos 4 mil casos confirmados de Covid-19. De acordo com o último boletim da Vigilância em Saúde, até a publicação desta matéria, Campos possuía 4.086 casos confirmados de Covid-19, além de 270 mortes por causa da doença.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou ainda que “cada fornecedor deve retirar seus materiais e estruturas locadas, de forma organizada. À Fundação Saúde cabe a coleta dos equipamentos móveis que foram adquiridos pelo contrato e que são patrimônio da SES que prevê pactuação de leitos nos municípios e suporte operacional com profissionais, equipamentos e outros insumos, aproveitando as estruturas já existentes, além da contratação de leitos em hospitais particulares, caso seja necessário”.
Fonte Terceira Via