Qualidade de vida e o prejuízo das redes sociais devem ser observados
POR
YAN TAVARES
Para prevenção | Gabriela Dal Molin destaca qualidade de vidaO mês de setembro é destacado como referência para conscientização e prevenção ao suicídio em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), trata-se de uma das principais causas de mortes entre os jovens. A última pesquisa da OMS, realizada em 2019, aponta que são registrados mais de 700 mil casos em todo o mundo, com estimativa de que esse número possa chegar a 1 milhão. Já no Brasil, os registros se aproximam de 14 mil por ano. Em média, 38 pessoas cometem suicídio por dia no país.Em 2023, o lema da campanha Setembro Amarelo é “Se precisar, peça ajuda!”. O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio ocorre oficialmente em 10 de setembro, mas o mês é marcado por iniciativas voltadas a levar informação sobre causas e sintomas de suicídio, trabalhando a conscientização e formas de prevenção.
Saúde mental | Gabriella Wedik acha importante intensificar debate
Em Campos, a Prefeitura desenvolveu uma programação com uma série de ações nesse sentido, destacadas em vários espaços públicos da cidade, chegando até mesmo às escolas. Para a psicóloga Gabriella Wekid, intensificar a discussão sobre questões de saúde mental é essencial na prevenção ao suicídio. A profissional destaca que há sinais nítidos a serem observados, como outros que podem passar despercebidos. “O suicídio é resultado de uma complexa interação de fatores psicológicos, sociais, biológicos, genéticos e culturais. Pode ser considerado como consequência final de um processo com uma série de fatores acumulados na história do indivíduo. Não há uma ‘regra’ para sinalizar uma crise suicida. Porém, uma pessoa em sofrimento pode dar sinais que devem ser considerados. Expressões de ideias e falas frequentes sobre morte e/ou morrer; falta de interesse pelo próprio bem-estar; isolamento e distância emocional; Alterações de humor e comportamento repentinas; mudanças nos padrões de sono e nível de energia; tristeza excessiva, tudo isso deve ser analisados isolados e/ou em conjunto”, observou.
A psicóloga alerta também para como a sociedade pode colaborar na conscientização e prevenção de novos casos. “O ato de falar, discutir e debater sobre o suicídio é uma forma de aumentar a conscientização da sociedade, quebra de estigma e preconceitos, visando auxílio na prevenção dos casos do suicídio. Aproxima-se, pergunte o que a pessoa está sentindo, mostra que se importa. Ouça, não julgue, não dê palpite, nem menospreze os sentimentos das pessoas. Mantenha a pessoa segura, conduza e encoraje o indivíduo a procurar ajuda profissional especializada. Atuar para prevenir o suicídio é uma preocupação da sociedade e não só das autoridades”, completou.
Para a psiquiatra Gabriela Dal Molin um ponto importante é a qualidade de vida que destaca como principal método de prevenção a casos de depressão e suicídio. Por outro lado, as redes sociais podem ser um ambiente perigoso. “Eu digo que a maior prevenção é qualidade de vida. Praticar atividade física, dormir bem, se relacionar bem, gostar do que faz. E é os que as pessoas pouco fazem hoje em dia. E aí, vem a frustração, impulsionada muitas vezes pela internet. Na vida real, todo mundo vai trabalhando e conquistando o que almeja. Na internet ninguém começa de baixo. A pessoa pega uma moeda e transforma em um milhão. E aí a gente vê uma geração que não consegue fazer o passo a passo, uma juventude que quer começar do topo para ter status. Não por acaso, as taxas de suicídio nos jovens aumentaram 32% nos jovens”, pontuou.
Fonte:J3News