Buscas por vítimas recomeçaram por volta das 7h30 desta quarta-feira. Nesta terça, foram encontrados mais cinco corpos, elevando para 13 o número de vítimas
POR FELIPE FREIRE
Sapucaia (RJ) - A meta das equipes de resgate é terminar o
trabalho de buscas por vítimas do deslizamento em Jamapará, em Sapucaia,
no Centro-Sul Fluminense, até quinta-feira. A informação foi dada nesta
quarta pelo secretário estadual da Defesa Civil, Sérgio Simões. Uma
máquina hidráulica usada para fragmentar rochas de grandes dimensões
facilita o trabalho no local. "Nossa meta é terminar o trabalho até
amanhã, mas a área ainda pode apresentar deslizamentos", disse Simões.
Um novo cemitério deve ser construído no município, pois o atual não supre a demanda causada pela tragédia. Segundo o prefeito, cerca de 1.500 familias, do total de 5 mil habitantes Jamapará, precisam ser realocadas rapidamente. Inicialmente, serão construídas as 50 casas, mas depois mais despropriações terão de ser feitas e mais imóveis terão de ser construídos. Geologos do Governo do Estado vão fazer um trabalho de avaliação das encostas.
As buscas pelos corpos remomeçaram por volta das 7h30 desta quarta-feira. Nesta terça, foram encontrados mais cinco corpos, elevando para 13 o número de vítimas — outras 9 pessoas continuam desaparecidas, entre elas cinco de uma família que tentou se refugiar num carro comprado menos de 24 horas antes do desastre.
A Defesa Civil liberou a entrada de moradores nas casas que estão interditadas. Muitas pessoas tiraram pertences das residências e levaram geladeiras, televisões, computadores, entre outros itens. "Vou tirar as coisas de mais valor. Estou com medo de saquearem meus pertences. Não confio mais, tentaram invadir minha casa pela janela", disse o morador Manoel da Silva, 63 anos.
O secretário municipal de Defesa Civil do município, Marco Antonio Teixeira, disse nesta quarta-feira que, por conta dos deslizamentos, 50 casas já foram interditadas e outras 80 podem ser fechadas nas próximas horas.
A chuva já deixa 11.650 pessoas fora de casa, entre desalojados e desabrigados no estado. Em Sapucaia, o risco de novos deslizamentos dificulta o trabalho dos bombeiros. Nesta terça-feira, cinco vítimas foram sepultadas. A previsão é de chuva forte em todo estado até quinta-feira.
“Meu irmão Francisco viu que estava chovendo muito, ouviu um barulho e achou que a casa ia desabar. Por isso, ele, a mulher dele, as duas filhas e o cunhado foram para o Fusca, que estava parado do lado da casa, para se abrigar. Eles acreditaram que lá estavam mais seguros, mas foram soterrados e até agora não foram encontrados”, contou José Juarez Carvalho, 46.
“Ter um carro e dirigir era o sonho dele, mas se não fosse o carro eles estariam vivos. Meus pais já estão sabendo que ele e minhas sobrinhas, de 7 e 15 anos, estão nos escombros. Minha mãe está à base de remédios e chora a todo momento. Só queremos que sejam encontrados para fazer um enterro digno”, desabafa, acrescentando que o carro estava sem bateria.
Sem esperança
Secretário Estadual de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, o coronel Sérgio Simões afirmou nesta terça-feira que não há esperança de encontrar pessoas vivas no deslizamento em Sapucaia. “Não há expectativa de encontrar sobreviventes. Ao contrário dos terremotos, onde se formam espaços que viram bolsões de ar, a lama costuma ocupar os espaços, sufocando as pessoas”, lamentou.
Ministro promete obra definitiva para a BR-356
O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, que visitou nesta terça-feira Campos acompanhado do ministro da Integração garantiu que o governo federal assumirá a recuperação da BR-356. Um trecho de 50 metros da estrada foi destruído pela força do Rio Paraíba do Sul, que provocou o alagamento da localidade de Três Vendas, em Campos.
“Serão realizadas obras definitivas em relação a esta estrada, que com o tempo assumiu o papel de dique de contenção. Faremos um profundo estudo hidrológico e iniciaremos estas providências imediatamente”, afirmou.
Professor de engenharia geotécnica da Coppe/UFRJ, Maurício Ehrlich confirmou ontem que a BR não era preparada para ser usada como dique e criticou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que fez obras no local. “Deveria ter feito projeto considerando a proximidade com o rio. As manilhas deveriam ser maiores para dar vazão à água”.
Cão deu sinal de alerta para o dono
Um cão ajudou a salvar moradores do deslizamento em Sapucaia. Dono do animal, Gerson Silva, 30 anos, conta que acordou segunda de madrugada, cerca de uma hora antes do deslizamento, com o cão latindo muito.
“Quando ele me acordou, eu vi que a casa estava muito trincada. Peguei minha mulher, minha filha de 2 anos e meu cão e saí correndo, gritando para que os vizinhos saíssem de casa porque tudo ia desabar”, conta Gerson, que, depois de deixar a família em local mais seguro, ainda voltou em busca do irmão, que conseguiu se salvar com a mulher e a filha.
Outro vizinho, Vinícius Avelino, 23, não consegue dormir desde o desastre. “Quando vi que a minha casa ia deslizar, saí correndo com a minha mulher e já ouvi um vizinho, o Pablo, pedindo socorro soterrado. Voltei para ajudar, cavei muito com as mãos, com pá, mas não consegui achá-lo”, conta. Pablo, de 29 anos, ainda está desaparecido.
Estado cria Força de Saúde
Decreto do governador Sérgio Cabral publicado ontem criou a Força Estadual de Saúde em função de desastres provocados pelas chuvas. As equipes podem ser convocadas a qualquer momento em que o estado considerar necessário.
Nesses casos, cada plantão 24 horas de um médico da Força valerá R$ 2 mil. Normalmente, o valor vai de R$ 1.250 a R$1.437,50. A remuneração mais alta não pode ser incorporada depois ao salário. O documento, publicado no Diário Oficial, permite que a Força de Saúde integre ações em outros países e que forme banco de cadastro de colaboradores.
Em Sapucaia, 60 homens do Corpo de Bombeiros, cães e voluntários buscam por vítimas do deslizamento | Foto: Alex Oliveira / Folha Popular
Nesta quarta-feira, o prefeito de Sapucaia, Anderson Zanon, se reuniu com Simões e com o Ministro da Integração, Fernando Bezerra, que prometeram o repasse de R $ 150 mil para gastos com máquinas e trabalhadores. Nos próximos meses, os governos federal e estadual vão financiar a construção de 50 casas populares.Um novo cemitério deve ser construído no município, pois o atual não supre a demanda causada pela tragédia. Segundo o prefeito, cerca de 1.500 familias, do total de 5 mil habitantes Jamapará, precisam ser realocadas rapidamente. Inicialmente, serão construídas as 50 casas, mas depois mais despropriações terão de ser feitas e mais imóveis terão de ser construídos. Geologos do Governo do Estado vão fazer um trabalho de avaliação das encostas.
As buscas pelos corpos remomeçaram por volta das 7h30 desta quarta-feira. Nesta terça, foram encontrados mais cinco corpos, elevando para 13 o número de vítimas — outras 9 pessoas continuam desaparecidas, entre elas cinco de uma família que tentou se refugiar num carro comprado menos de 24 horas antes do desastre.
A Defesa Civil liberou a entrada de moradores nas casas que estão interditadas. Muitas pessoas tiraram pertences das residências e levaram geladeiras, televisões, computadores, entre outros itens. "Vou tirar as coisas de mais valor. Estou com medo de saquearem meus pertences. Não confio mais, tentaram invadir minha casa pela janela", disse o morador Manoel da Silva, 63 anos.
O secretário municipal de Defesa Civil do município, Marco Antonio Teixeira, disse nesta quarta-feira que, por conta dos deslizamentos, 50 casas já foram interditadas e outras 80 podem ser fechadas nas próximas horas.
A chuva já deixa 11.650 pessoas fora de casa, entre desalojados e desabrigados no estado. Em Sapucaia, o risco de novos deslizamentos dificulta o trabalho dos bombeiros. Nesta terça-feira, cinco vítimas foram sepultadas. A previsão é de chuva forte em todo estado até quinta-feira.
“Meu irmão Francisco viu que estava chovendo muito, ouviu um barulho e achou que a casa ia desabar. Por isso, ele, a mulher dele, as duas filhas e o cunhado foram para o Fusca, que estava parado do lado da casa, para se abrigar. Eles acreditaram que lá estavam mais seguros, mas foram soterrados e até agora não foram encontrados”, contou José Juarez Carvalho, 46.
Cinco vítimas foram sepultadas ao longo do dia | Foto: Alex Oliveira / Folha Popular
Segundo José, Francisco trabalhava como servente e economizou R$ 1 mil por três anos para comprar o veículo.“Ter um carro e dirigir era o sonho dele, mas se não fosse o carro eles estariam vivos. Meus pais já estão sabendo que ele e minhas sobrinhas, de 7 e 15 anos, estão nos escombros. Minha mãe está à base de remédios e chora a todo momento. Só queremos que sejam encontrados para fazer um enterro digno”, desabafa, acrescentando que o carro estava sem bateria.
Sem esperança
Secretário Estadual de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, o coronel Sérgio Simões afirmou nesta terça-feira que não há esperança de encontrar pessoas vivas no deslizamento em Sapucaia. “Não há expectativa de encontrar sobreviventes. Ao contrário dos terremotos, onde se formam espaços que viram bolsões de ar, a lama costuma ocupar os espaços, sufocando as pessoas”, lamentou.
Ministro promete obra definitiva para a BR-356
O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, que visitou nesta terça-feira Campos acompanhado do ministro da Integração garantiu que o governo federal assumirá a recuperação da BR-356. Um trecho de 50 metros da estrada foi destruído pela força do Rio Paraíba do Sul, que provocou o alagamento da localidade de Três Vendas, em Campos.
“Serão realizadas obras definitivas em relação a esta estrada, que com o tempo assumiu o papel de dique de contenção. Faremos um profundo estudo hidrológico e iniciaremos estas providências imediatamente”, afirmou.
Professor de engenharia geotécnica da Coppe/UFRJ, Maurício Ehrlich confirmou ontem que a BR não era preparada para ser usada como dique e criticou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que fez obras no local. “Deveria ter feito projeto considerando a proximidade com o rio. As manilhas deveriam ser maiores para dar vazão à água”.
Cão deu sinal de alerta para o dono
Um cão ajudou a salvar moradores do deslizamento em Sapucaia. Dono do animal, Gerson Silva, 30 anos, conta que acordou segunda de madrugada, cerca de uma hora antes do deslizamento, com o cão latindo muito.
“Quando ele me acordou, eu vi que a casa estava muito trincada. Peguei minha mulher, minha filha de 2 anos e meu cão e saí correndo, gritando para que os vizinhos saíssem de casa porque tudo ia desabar”, conta Gerson, que, depois de deixar a família em local mais seguro, ainda voltou em busca do irmão, que conseguiu se salvar com a mulher e a filha.
Sebastião teve parte da casa invadida e destruída por barranco | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
Aos 47 anos, Sebastião Isidoro diz que nasceu de novo. O quarto em que ele e a mulher dormiam foi invadido por barro, mas foram os vizinhos que o acordaram: “Acordamos com os gritos para que saíssemos de casa”.Outro vizinho, Vinícius Avelino, 23, não consegue dormir desde o desastre. “Quando vi que a minha casa ia deslizar, saí correndo com a minha mulher e já ouvi um vizinho, o Pablo, pedindo socorro soterrado. Voltei para ajudar, cavei muito com as mãos, com pá, mas não consegui achá-lo”, conta. Pablo, de 29 anos, ainda está desaparecido.
Estado cria Força de Saúde
Decreto do governador Sérgio Cabral publicado ontem criou a Força Estadual de Saúde em função de desastres provocados pelas chuvas. As equipes podem ser convocadas a qualquer momento em que o estado considerar necessário.
Nesses casos, cada plantão 24 horas de um médico da Força valerá R$ 2 mil. Normalmente, o valor vai de R$ 1.250 a R$1.437,50. A remuneração mais alta não pode ser incorporada depois ao salário. O documento, publicado no Diário Oficial, permite que a Força de Saúde integre ações em outros países e que forme banco de cadastro de colaboradores.

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