quarta-feira, 18 de junho de 2014

Machadada: Juiz que cassou Beto julgará Neco

Foto: Divulgação
O Diário
Juiz Leonardo Cajueiro (ao microfone) agora responde como titular na 37ª Zona Eleitoral de São João da Barra

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) designou, na noite da última segunda-feira (16), o juiz Leonardo Cajueiro D’Azevedo para atuar como titular da 37ª Zona Eleitoral de São João da Barra (SJB). Em setembro do ano passado, ele assumiu a zona eleitoral em substituição à juíza Luciana Cesário de Mello Novais, que, na ocasião, saiu de licença médica.
Em setembro de 2009, enquanto juiz da 130ª Zona Eleitoral de São Francisco de Itabapoana (SFI), Leonardo Cajueiro cassou o prefeito e o vice-prefeito daquele município, Beto Azevedo e Frederico Souza Barbosa Lemos, por compra de votos e abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral de 2008. Os dois políticos foram declarados inelegíveis pelo período de oito anos a contar do pleito em questão e multados em 19 mil Ufir cada um.
Agora, ao assumir a comarca de SJB, Leonardo Cajueiro terá a responsabilidade de proferir sentença na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), que pede a cassação do prefeito eleito de SJB, José Amaro Martins, o Neco (PMDB), seu vice Alexandre Rosa (PMDB) e o vereador Eziel Pedro da Silva.
O advogado Francisco de Assis Pessanha Filho acredita que, com a nomeação de Leonardo Cajueiro, o processo vai começar a andar. “Acredito que o próximo passo será ouvir as testemunhas de defesa e acusação”.
Ontem, São João da Barra comemorou 164 anos de elevação à categoria de cidade. Apesar do momento de festa, o município vive a possibilidade de as eleições de 2012 sofrerem mudanças. Há uma série de ações baseadas em denúncias de crimes eleitorais que teriam facilitado à eleição do atual prefeito Neco e do seu vice, Alexandre Rosa. Todas estão dependendo de decisões da Justiça Eleitoral.
Expectativa quanto a Machadada
A AIJE é fruto da “Operação Machadada”, deflagrada pela Polícia Federal na véspera das eleições de 2012, que resultou na prisão da prefeita de SJB à época, Carla Machado (PMDB, hoje no PT) e do candidato então vereador, atual vice-prefeito, Alexandre Rosa. 

Foram recolhidas provas em áudio e vídeo que revelaram conversas entre os dois. Todo material foi periciado, por solicitação de advogados da ex-prefeita, e considerados lícitos.
Carla foi presa por agentes da PF depois de participar de um comício de Neco, em Grussaí, a caminho de uma pousada na Praia de Atafona. Já a prisão de Alexandre Rosa aconteceu na localidade de Água Santa, no 5º distrito de SJB, na casa de Neco. Carla e Alexandre pagaram fianças de R$ 60 mil e R$ 50 mil, respectivamente, e foram liberados.
Na ocasião, o então delegado titular da Delegacia da PF, em Campos, Paulo Cassiano Júnior (hoje coordenando delegacias da PF no estado de Santa Catarina), que comandou a operação, disse que Carla Machado estava sendo investigada por compra de votos e formação de quadrilha. Segundo ele, a organização encabeçada pela então prefeita tinha como objetivo barrar a candidatura a vereador de coligações adversárias.

De acordo com Cassiano, alguns candidatos a vereador da cidade, procurados pelo grupo de Carla, não teriam aceitado a proposta e denunciado o esquema à PF, que iniciou as investigações da “Machadada”. A ex-prefeita tentou desqualificar o trabalho do delegado, representando contra ele, mas prevaleceu a credibilidade da autoridade federal.

Campos 24 horas/Show Francisco



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