quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Petrobras: funcionário revela clima de desconfiança e apatia na sede

Queda do preço do petróleo e dos executivos da Petrobras piora o cenário nos municípios

Petrobras: funcionário revela clima de desconfiança e apatia na sede.

Será economicamente benéfica para o mundo inteiro - exceto para os países produtores, especialmente para o Brasil – a queda do preço internacional do petróleo bruto para menos de US$ 50 o barril. O aumento da oferta fez os preços despencarem a partir de US$ 115 para menos da metade ainda em 2014, impulsionando – em contrapartida - o PIB médio do planeta em torno de 0,5%, segundo o FMI. O preço da commodity somente havia chegado a esse patamar no auge da crise econômica mundial, em 2009. Ao mesmo tempo, especialistas avaliam que jamais o preço do produto voltará à faixa superior a US$ 100.

Na expectativa para 2015, segundo o pesquisador José Roberto Afonso, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), a arrecadação de royalties pode gerar perdas entre R$ 6 bilhões e R$ 10 bilhões para o país. O volume se refere às receitas de royalties e participações especiais pagas pelas petroleiras de acordo com o volume de produção e as cotações do mercado internacional. Nos municípios fluminenses, a estimativa é de perda de até 65%.

O reflexo não será maior, diz ele, pois o governo será beneficiado com o aumento da produção em áreas do pré-sal, onde a maior parte das contribuições é destinada à União. Mesma sorte não terão estados e municípios.

O Rio, com maior fatia da indústria, estima perdas de R$ 2,2 bilhões. Já para os municípios, a situação é mais grave: a queda das receitas ficará entre 30% e 65%, segundo cálculos do governo do Rio.

Prefeitos das cidades da região norte do estado, que concentram as empresas fornecedoras e de serviços vinculadas ao setor de óleo e gás, já refazem as contas, contratos e projetos para 2015. Movimento fraco no comércio, rescisão de contratos de fornecedores das prefeituras, aumento de impostos, empréstimos e a volta do temor do desemprego são os primeiros sinais da desaceleração econômica da região.

Em Macaé, base de apoio logístico da Petrobras que sofre ainda com a retração e atrasos de pagamentos de fornecedoras de serviços, o prefeito Dr. Aluízio (PV) decretou redução de 10% dos salários comissionados - incluindo o próprio pagamento e do secretariado.

Em Campos, mesmo com sua prefeitura pouco vocacionada a prestar contas ou dar satisfações, sabe-se que o corte nos contratos atinge 25% em todas as áreas, segundo a FGV. Além do corte, comerciantes e empresários também foram surpreendidos com reajuste de mais de 30% na taxa de iluminação pública e do valor venal dos imóveis que incide sobre o IPTU.

Na estatal, o mar não está pra peixe

A despeito da absurda crise da Petrobras, mantivemos o pré-sal mergulhado em algum canto da Bacia de Campos, como quem esconde um tesouro dentro do colchão – ou sujeira debaixo do tapete. Não nos demos conta de que esta fonte de energia – como os demais combustíveis fósseis – está com os dias contados, por óbvios motivos ambientais. É preciso produzir em larga escala – e rápido - para crescer em padrões aceitáveis.

Desmantelada e acéfala, a estatal brasileira responsável pela gestão de petróleo e gás vive dias inusitados. Na Avenida Chile – nos revela um funcionário de carreira -, os colaboradores passam o crachá, cruzam a roleta, sobem os elevadores, mas pouco se produz. Não há gestores indicando o caminho a seguir, os negócios estão parados, faltam lideranças e cresce – acredite – a desconfiança entre os funcionários.

Não há na empresa quem faça as contas sobre a relação entre produção, consumo e venda – diante do preço mundial e do cenário nacional.

Apesar de a produção acumulada da província pré-sal ter ultrapassado os 360 milhões de barris em quatro anos, sabe-se que a exploração anda a 20 quilômetros por hora numa estrada cuja velocidade pode chegar aos 100 Km.

Enquanto isso, o país se arrasta, prendendo bagres da Petrobras, como Paulo Roberto Costa ou Nestor Cerveró (este mais para o linguado recém caído na rede) – sem ir direto aos tubarões.

O mar não está pra peixe.

Fonte: Terceira Via/Show Francisco




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