sábado, 9 de maio de 2015

Amor de mãe persiste mesmo atrás das grades de um presídio

Mães, avós e filhas contam como superam os dias longe da família e prometem mudar

Neste domingo (10) mulheres de todo o Brasil comemoram o Dia das Mães, data que apesar do grande apelo comercial, não passa despercebida por quem reconhece o valor daquela que lhe gerou. No Presídio Feminino de Campos não vai ser diferente. Por detrás das grades muitas dessas mães, avós e filhas, têm histórias que emocionam. Como qualquer ser humano, elas erraram um dia e hoje pagam um alto preço. Seja do lado de dentro, ou do lado de fora, estas mães tem algo em comum, o amor pelos filhos e o desejo de recuperar o tempo perdido.





Carla é o nome fictício que vamos usar para identificar essa mãe e avó aos 37 anos. Presa há seis anos, ela tem dois filhos e um neto que ainda não conhece.

“Na época foi muito difícil me desgarrar dos meus filhos, um de 9 anos e outro de 12. Nas minhas saídas visito o mais novo, que está com 15 anos. Desde então, não tive contato com o mais velho, que hoje tem 18 anos e é pai de um menino de 3, que não conheço. Sempre fui mãe e pai. Ser mãe é sublime. Creio que vou sair daqui mais madura. Não quero servir de mal exemplo para os meus filhos. Quero passar para eles coisas boas”, declarou Carla.

A mãe que vamos chamar de Maria tem motivo de sobra para se orgulhar. Os dois filhos estão formados. Um deles, ela não vê desde que foi presa. Não pode acompanhar a formatura da filha, mas espera ansiosa pela liberdade que deve ser concedida ainda este ano.

“Tenho um casal de filhos já adultos. A menina se formou em Biomedicina em 2012. Depois ela fez curso de Técnico de Segurança no Trabalho. Agora, ela está cursando Nutrição. Meu filho é inspetor de solda. Fui presa há cinco anos. Minha filha cursava o 4º ano da faculdade e queria desistir, mas eu não deixei. Não pude ir à formatura dela, mas meu coração estava lá. Quando sair daqui, ainda este ano, pretendo trabalhar com corte e costura”, disse Maria.

Diferente de Carla e Maria, presas por homicídio, a jovem Paula de 26 anos, cumpre pena por tráfico de drogas há quase cinco anos. Paulista, ela se separou do marido um policial militar, assim que a filha do casal nasceu. Logo depois, ela se envolveu com um traficante de Itaperuna, no Noroeste Fluminense. Paula foi presa dentro de um ônibus quando chegava de São Paulo, onde visitou a filha, que não via há quatro anos.

“Fui a São Paulo por causa do aniversário da minha filha. O meu companheiro contratou um homem que serviu de “mula” para trazer a droga. Como tinha apenas um ônibus para Itaperuna, ele teve que vir no mesmo horário que eu. No começo foi muito ruim. Minha filha mandava cartas perguntando quando eu iria sair daqui. Um dia ela disse que não importava o que aconteceu, porque me amava mesmo assim. Quando sair, quero fazer tudo diferente. O que mais me dói é não estar com minha mãe e minha filha. É muito triste você saber que causou sofrimento a sua mãe”, lamenta Paula.

Cláudia dos Santos, Terceira Via/Show Francisco



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