terça-feira, 26 de maio de 2015

'Pesadelo', diz mulher apontada na web como sequestradora de crianças

Vítima parou de andar de ônibus após boatos nas redes sociais.
Operadora de caixa que trabalha em Cuiabá denunciou crime à polícia.


Boatos de que operadora de caixa traficava crianças
circulam pela internet (Foto: Reprodução/ TVCA)

Faz pouco mais de um mês que a vida da operadora de caixa Francineide Freitas Leal, de 27 anos, se tornou um pesadelo em razão de boatos que começaram a circular nas redes sociais de que ela e o ex-marido seriam sequestradores de crianças para traficá-las . A mesma imagem circulava com mensagens diferentes, mas todas alertavam sobre o perigo que eles supostamente representavam.

Uma delas diz que o casal da foto visitava escolas disfarçados de fotógrafos para roubar crianças. "Quando descobri, entrei em pânico e a única coisa que sabia fazer era chorar.”, contou. Ela estava no trabalho quando um amigo a mostrou pela primeira vez os boatos que estavam circulando. A rotina dela mudou completamente desde então.

“Parei de andar de ônibus por medo. Meu cunhado me levava [para o trabalho] e meus amigos me levavam embora”, lembrou.
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Ela acionou a polícia e o desejo é que o autor dessas montagens e responsável por espalhar as imagens seja descoberto pela polícia. "Essa pessoa tem que pagar, porque essa pessoa ajudou a destruir a minha vida naquele momento”, afirmou, se referindo ao fato de que na época o ex-marido foi preso sob suspeita de abusar sexualmente da filha dele.

Quem fez isso tem que pagar "
Francineide Freitas Leal, vítima de boatos pela internet

Francineide disse que chegou a cortar o cabelo para tentar mudar a fisionomia, mas mesmo assim as pessoas a reconheciam. Também foi ameaçada pelas redes sociais. "Recebo ameaças nas redes sociais. É sempre algo, como: 'Vou te mostrar como é tirar o órgão de uma criança, vou fazer a mesma coisa com você. Se eu te pegar vou te matar", contou a operadora de caixa.

Os boatos circularam por todo o país, segundo ela. "Pessoas do Amazonas, do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro ainda compartilham as fotos. Inclusive, meus familiares no Maranhão chegaram a ver o boato”, disse. 


Na tentativa de provar que a mensagem não condizia com a verdade, Francineide fez várias postagens nas redes sociais, mas ainda assim não conseguiu reverter a situação. "A foto continua sendo compartilhada. Tem uma, inclusive, que tem uma criança cortada ao meio dizendo que sou a responsável por aquilo. Todo vez que entro na internet tem alguma foto sendo compartilhada como se fosse verdade”, citou.


Francineide tenta reverter boatos que circulam na internet.
(Foto: André Souza/ G1)

A operadora de caixa não tem nenhuma suspeita de quem tenha começado os boatos na internet. “A foto foi divulgada no começo para tentar achar meu ex-marido que tinha abusado da minha filha e da minha enteada. Depois disso tomou outras proporções”, afirmou.

De acordo com a Polícia Civil, é difícil descobrir a fonte exata do boato. Nenhum inquérito foi aberto para investigar a circulação das mensagens pela internet.

Para a especialista em crimes digitais, Adriele Cristina Rodrigues, os boatos demoram a parar de circular, pois a maioria das pessoas só vê a mensagem da acusação falsa. “Nem todo mundo teve acesso às mensagens em que ela explica a história. E, infelizmente, os boatos ainda vão permanecer por algum tempo”, explicou.


G1/Show Francisco



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