terça-feira, 29 de novembro de 2016

LIRAa: Campos, SFI e Macaé em alerta de surto de dengue, zika e chikungunya

Em Pádua, no Noroeste, os dados do apresentaram um alto risco para a doença
Os municípios de Campos, São Francisco de Itabapoana, Macaé, Carapebus e Conceição de Macabu, Norte Fluminense, além de Santo Antônio da Pádua, Italva e Miracema, no Noroeste, estão entre as 20 cidades do estado do Rio de Janeiro em situação de alerta ou risco de surto de dengue, zika e chikungunya para o próximo ano. A informação veio após o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) de 2016, realizado pelo Ministério da Saúde, em conjunto com os municípios.

Em Campos, o índice de infestação apontado no último LIRAa, realizado em outubro, é de 1,4%, o que coloca o município em médio risco. Também em médio risco estão as cidades de Conceição de Macabu, com 2,4; Miracema (2,3%); Carapebus (1,7%); Italva (1,2%); São Francisco de Itabapoana (1,1%) e Macaé, com 1%. Já em Pádua, os dados do apresentaram um alto risco, com 6,6%.

O coordenador do Programa Municipal de Combate a Dengue no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em Campos, Claudemir Barcelos da Silva, explicou que esse levantamento [LIRAa] é feito quatro vezes ao ano no município, e, de acordo com o índice apontado, são determinadas as ações a serem realizadas no município.

“A partir do ano que vem a gente tem umas metas determinadas pelo Ministério da Saúde, onde vamos ter que fazer um trabalho de rotina na cidade. O verão, como tem grande movimento de pessoas, a gente fez uma programação especial para o Farol de São Tomé (única praia campista), que vai começar nos dias 6, 7 e 8 de janeiro e segue até 19 de fevereiro, com carros fumacês e mutirões”, pontuou o coordenador informando que cerca de 150 agentes irão trabalhar na praia campista.

REDUÇÃO NOS CASOS CONFIRMADOS DE DENGUE EM CAMPOS
Claudemir também informou que este ano houve uma redução muito grande, cerca de 70%, dos casos confirmados de dengue em relação a 2015. “Esse ano, em 9.516 casos suspeitos, nós tivemos 1.204 confirmados, enquanto que no ano de 2015 foram quase 4.131 casos confirmados de dengue”.

Com relação à zika, em 2016 foram registrados 5.327 casos suspeitos da doença, com 38 casos confirmados, sendo 36 em gestantes. Já chikungunya, foram 95 casos suspeitos, sendo que houve cinco importados e 36 local confirmados.

RISCO EM TODO O PAÍS
Em todo o país, o LIRAa aponta 855 cidades em situação de risco. O levantamento é fundamental para orientar as ações de controle das três doenças.

Dos 3.704 municípios brasileiros que estavam aptos a realizar o LIRAa – aqueles que possuem mais de 2 mil imóveis - 62,6% (2.284) participaram da edição deste ano. Em comparação com 2015, houve um aumento de 27,3% em relação ao número de municípios participantes. Realizado em outubro e novembro deste ano, o levantamento é um instrumento fundamental para o controle do mosquito Aedes aegypti. Com base nas informações coletadas, o gestor pode identificar os tipos de depósito onde as larvas foram encontradas e, consequentemente, priorizar as medidas mais adequadas para o controle do Aedes no município.

Atualmente, o levantamento é feito a partir da adesão voluntária de municípios. O ministro Ricardo Barros, no entanto, vai propor que a participação, no levantamento, dos municípios com mais de 2000 imóveis seja obrigatória, a partir de 2017. A proposta será apresentada na reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) entre estados, municípios e União, no próximo dia 8 de dezembro.

CRIADOUROS - Os depósitos de água, como tonéis, tambores e caixas d’água, foi o principal tipo de criadouro na região Nordeste e Sul. Já o depósito domiciliar, categoria em que se enquadram vasos de plantas, garrafas, piscinas e calhas, predominou na região Sudeste. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o lixo foi o depósito com maior número de focos encontrados.

CAMPANHA – A nova campanha do Ministério da Saúde, de conscientização para o combate ao mosquito, chama a atenção para as consequências das doenças causadas pela chikungunya, zika e dengue, além da importância de eliminar os focos do Aedes. “Um simples mosquito pode marcar uma vida. Um simples gesto pode salvar” alerta a campanha, que será veiculada na TV, rádio, internet, redes sociais e mobiliários urbano (ponto de ônibus, outdoor) no período de 24 de novembro a 23 de dezembro. Foram investidos R$ 10 milhões na campanha.

“Neste ano, a diferença da campanha é que estamos mostrando as consequências de não combater os focos do mosquito. A ideia é sensibilizar as pessoas para que percebam que é muito melhor cuidar do foco do mosquito do que sofrer as consequências de não ter feito esse gesto. Vamos reforçar, ainda mais, a necessidade de eliminar os criadouros, convocando toda a sociedade para esse trabalho”, destacou o ministro da Saúde Ricardo Barros.

DENGUE – O Brasil registrou, até 22 de outubro, 1.458.355 casos de dengue. No mesmo período de 2015, esse número era de 1.543.000 casos, o que representa uma queda de 5,5%. Considerando as regiões do país, Sudeste e Nordeste apresentam os maiores números de casos, com 848.587 casos e 322.067 casos, respectivamente. Em seguida estão as regiões Centro-Oeste (177.644), Sul (72.114) e Norte (37.943).

CHIKUNGUNYA -
No país, foram registrados 251.051 casos suspeitos de febre chikungunya, sendo 134.910 confirmados. No mesmo período, no ano passado, eram 26.763 casos suspeitos e 8.528 confirmados. Ao todo, 138 óbitos registrados pela doença, nos estados de Pernambuco (54), Paraíba (31), Rio Grande do Norte (19), Ceará (14), Bahia (5), Rio de Janeiro (5), Maranhão (5), Alagoas (2), Piauí (1), Amapá (1) e Distrito Federal (1).

ZIKA – Foram 208.867 casos prováveis de febre pelo vírus Zika em todo o país, até o dia 22 de outubro, o que representa uma taxa de incidência de 102,2 casos a cada 100 mil habitantes. Foram confirmados laboratorialmente, em 2016, três óbitos por vírus Zika no país. Em relação às gestantes, foram registrados 16.696 casos prováveis em todo o país.

Os recursos federais destinados à Vigilância em Saúde, Piso Fixo de Vigilância em Saúde (PFVS), para a transferência aos estados, municípios e Distrito Federal que incluem as ações de combate ao Aedes aegypti, cresceram 39% nos últimos anos (2010-2015), passando de R$ 924,1 milhões para R$ 1,29 bilhão em 2015. E, no ano de 2016, teve um incremento de R$ 580 milhões, chegando o valor a R$ 1,87 bilhão. Além disso, o Ministério da Saúde contou com apoio extra do Congresso Nacional, por meio de emenda parlamentar, no valor de R$ 500 milhões.
Show Francisco

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