terça-feira, 22 de outubro de 2019

Diretores de hospitais conveniados acionam MP contra a Prefeitura

Um pedido de representação das quatro instituições de saúde foi entregue ao Ministério Público Estadual nesta segunda


Representantes dos hospitais de Campos recorrem ao MPE (Fotos: Carlos Grevi)

Com quase três meses de repasses de verbas municipais atrasados por parte da Prefeitura de Campos, hospitais filantrópicos e contratualizados que prestam serviço pelo SUS, decidiram entrar com uma representação no Ministério Público Estadual nesta segunda-feira (21), a fim de garantir os pagamentos pendentes. O documento foi assinado por diretores das instituições e protocolado por advogados que buscam a quitação dos débitos. De acordo com os representantes dos hospitais, o atendimento ao público poderá ficar prejudicado, caso não se resolva a crise financeira.

Segundo o diretor administrativo do Hospital dos Plantadores de Cana, Adelsir Barreto, o apoio do Ministério Público é uma esperança para minimizar os problemas de todos os hospitais que prestam serviços pelo Sistema Único de Saúde.

“Sem resolver a questão do pagamento dos débitos, fica quase impossível dar continuidade aos serviços. Estamos sem conseguir pagar os funcionários há mais de um mês. Caminhamos para o segundo mês sem poder honrar com a folha de pagamento. Nossos estoques de insumos, medicamentos e produtos de limpeza devem durar pouco mais de uma semana. Ainda estamos com dívidas com fornecedores”, disse Adelsir.

Segundo os diretores dos hospitais Beneficência Portuguesa, Álvaro Alvim, Santa Casa e Plantadores, a Prefeitura de Campos não fez o repasse de R$ 15 milhões nos últimos três meses. As dificuldades para manter os atendimentos são semelhantes. “Temos dois meses de salários atrasados. Os insumos também começam a faltar”, comentou Jorge Miranda, diretor-técnico do Jorge Miranda.


Advogados auxiliaram na representação contra a prefeitura (Foto:Carlos Grevi)

Para advogada Helia Tavares, representante da Beneficência, o Ministério Público Estadual é uma das últimas alternativas na falta de diálogo com o governo municipal. “Todos os procedimentos que estãos endo tomados foram tomados em conjunto pelos hospitais. Nós tentamos um acordo com a Secretaria de Saúde, tentamos por duas vezes uma reunião com Abdu Neme, mas sem sucesso. Todos têm urgências em internações hospitalares, cirurgias, além de unidades de terapia intensiva neonatal e de adultos”, frisou.

O documento entregue nesta segunda-feira (21) ao Ministério Público Estadual possui oito páginas com 37 descrições e argumentações dos diretores hospitalares de Campos dos Goytacazes. “Estamos empenhados para conseguir o apoio do MPE e da Justiça para que as finanças sejam sanadas e os serviços não deixem de operar”, comentou o diretor jurídico da Santa Casa Paulo Paes Filho que representou o provedor Manoel Corraes.


Adelsir Barreto dos Plantadores de Cana: “estoques para uma semana apenas”

A imprensa não teve acesso ao interior do prédio onde funciona o protocolo do MPE para o recebimento de pedidos e representações. O grupo de diretores e os advogados acreditam que os promotores do Mistério Público devem se manifestar em poucos dias devido à urgência do pedido. Legalmente, o MPE tem até 30 dias para responder esse tipo de representação judicial.

A reportagem do Jornal Terceira Via procurou pela assessoria de comunicação da Prefeitura de Campos para se pronunciar em relação ao gesto dos diretores de hospitais da cidade. Por enquanto, ainda não houve posicionamento.

Fonte:Terceira Via

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