domingo, 14 de junho de 2020

Sala de estar em praça continua

Espaço público no entorno da Igreja São Benedito é tomado por entulho levado por moradores de rua


Aglomeração | Maioria dos moradores em situação de rua não usa máscaras, não respeita distanciamento e recusa abrigo da prefeitura. (Foto: Carlos Grevi)

Na edição impressa n° 183 do Jornal Terceira Via, que circulou no dia 26 de abril de 2020, foi publicada uma reportagem a respeito da situação alarmante dos moradores de rua próximo à Paróquia São Benedito, no Centro de Campos. Cerca de um mês depois da publicação da matéria, que relatava uma verdadeira sala de estar montada pelos moradores de rua no local, pouca coisa mudou. Segundo moradores da região, as práticas ilícitas relatadas na reportagem, ainda continuam acontecendo e sequer houve a visita de agentes da prefeitura ou de qualquer outro tipo de órgão para fiscalizar e entender o que está acontecendo no local.

Drogas, sexo em plena luz do dia, no meio da praça, xingamentos, ofensas e até mesmo assaltos são alguns dos problemas relatados por quem mora na região. Um morador, que preferiu não se identificar com medo de sofrer algum tipo de represália dos moradores de rua, relatou um pouco da rotina e do que ele já flagrou no local.

“Nunca tive problemas particulares com eles. Apesar de respeitarem quem mora aqui, diversas vezes a gente já ouviu barulhos de tiro, confusões, já flagramos agressões, além de constantemente percebemos que eles estão utilizando drogas”, comentou o morador.

O vizinho também contou que, às vezes, é possível perceber a presença de policiais no local. “Algumas vezes, a Polícia vem até aqui, conversa com eles, vão embora e minutos depois, a confusão recomeça. Agentes da Guarda Civil Municipal também vão até os moradores, conversam, depois que vão embora, tudo volta a ser como antes”, declarou o morador.

Outra moradora da região, que no também não quis se identificar, conta que já comunicou por que diversas vezes as autoridades do município sobre o assunto, inclusive à Postura. “Na última vez eles tiveram a cara de pau de me perguntar o que estava acontecendo no local, como se não fosse visível o problema. O canteiro do Jardim, ao lado da igreja, se transformou na casa deles”, conta a moradora.

Ela lembra, ainda, que existem os moradores de rua que se apropriaram do Jardim, mas, recentemente, tem, ainda, as pessoas que recebem alimentação das irmãs do convento, que chegam cedo e só vão embora no fim do dia, após todas as refeições.

“Eu acompanho e vejo que muitos chegam na hora do café e só vão embora no fim do dia. Esses não são moradores de rua, eles ficam o dia inteiro no entorno do Jardim só para se alimentar. Dormem no coreto, ficam nas calçadas e bancos e muitas vezes são até confundidos”, revela.

O Jornal Terceira Via entrou em contato com o setor de comunicação da Polícia Militar, que respondeu da seguinte maneira: “A Assessoria de Imprensada Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que o 8º BPM (Campos dos Goytacazes) atua com patrulhamento ostensivo diuturnamente na região de sua circunscrição. Os cidadãos podem realizar denúncias através do Disque Denúncia – (21) 2253-1177 – e, para situações emergenciais, o acionamento deve ser feito pelo telefone 190. Ressaltamos que a Corporação está à disposição para apoiar ações dos órgãos responsáveis por situações desta natureza”

Já a Prefeitura de Campos, declarou que: “Orgias sexuais em locais públicos, uso de drogas, roubos e furtos são casos de polícia, independente de quem os comete. Portanto, devem ser denunciados às forças de segurança pública para que as providências sejam tomadas e os envolvidos, punidos. A Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social (SMDHS) reforça que pessoas em situação de rua são sujeitos de direitos e, por mais que a equipe de abordagem social insista em oferecer abrigo, eles não podem ser obrigados a aceitar o acolhimento. É importante ressaltar, da conforme preconiza a Política Nacional de Assistência Social, que o papel da assistência social é ofertar serviços socioassistenciais, a fim de promover a reinserção familiar e social, recuperar os vínculos perdidos, garantindo, assim, a recuperação da dignidade, autonomia, confiança e independência. Essas medidas estão sendo tomadas pela Prefeitura por meio dos CREAS, Centro Pop e quatro abrigos públicos. A Prefeitura garante diversos serviços para essa população, não somente alimentação, como, por exemplo, cursos de inclusão produtiva, encaminhamento para rede de saúde, para retirar documentos, palestras, oficinas, acesso aos benefícios sociais, dentre outros”, conclui.
Fonte Terceira Via

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