segunda-feira, 16 de maio de 2022

Justiça Itinerante completa 15 anos atendendo a comunidades de Campos

Ônibus do programa oferece serviços jurídicos gratuitamente nas localidades de Goitacazes e Morro do Coco

POR CLÍCIA CRUZ
Nivaldo e Cristina oficializaram a união no Programa Justiça itinerante, após ficarem separados por 12 anos (Fotos: Silvana Rust)

O projeto Justiça Itinerante atua em Campos há 15 anos, levando atendimento judiciário às comunidades distantes das comarcas, para facilitar e agilizar a resolução de demandas judiciais. Dentre os serviços realizados, os mais procurados são consultas e acompanhamentos processuais, como pedidos de divórcios, pensão alimentícia, guarda tutelar, certidão de nascimento e ações de Juizado Cível.

O atendimento é feito em Goitacazes todas as terças-feiras, no horário entre 9h e 17h, no cartório local. No distrito de Morro do Coco, o atendimento é feito toda última quinta-feira do mês, das 9h às 14h, na Rua Nilo Peçanha, ao lado da praça em frente à Igreja Católica. O projeto tem o apoio logístico da Prefeitura de Campos, que atua em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio.
Aldenisia Maciel Arêas

A chefe de cartório e coordenadora do Justiça Itinerante, Aldenisia Maciel Arêas, explica que o lema do projeto é levar Justiça aos invisíveis. “E quem são os invisíveis? São aqueles que às vezes não têm um documento de identidade, uma certidão de nascimento, aquelas pessoas em situação de rua, pessoas que precisam se tornar cidadãos. Então esse é o primeiro atendimento da Justiça Itinerante. Levando em consideração que muitas pessoas não têm condições financeiras de ir até o Fórum de Campos, nosso projeto vai até essas pessoas”, diz Aldenísia.

Os dois locais de atendimento foram escolhidos após a Justiça consultar as necessidades das comunidades. “Quando nós começamos o projeto, iniciamos por Tócos e Santo Eduardo, que eram os bolsões de pobreza do Estado. Em um segundo momento, nós verificamos que Goitacazes seria importante porque atende desde Donana até Farol de São Thomé.

Para receber atendimento, é preciso provar que mora nas adjacências, por meio de um comprovante de residência.
Casamento comunitário


Na última sexta-feira (13), a Justiça itinerante atingiu a marca de cinco mil casamentos realizados. Durante a cerimônia, o juiz Bruno Rodrigues Pinto ressaltou o quanto estava feliz em fazer parte da história dos 23 casais que estavam celebrando o matrimônio. “É uma alegria e uma honra participar desse momento, ontem (quinta, dia 12) eu cheguei ao Fórum logo cedo e saí 22h30, vendo coisas muito tristes; e hoje, menos de 12 horas depois estamos aqui celebrando o amor e a vida”, diz o magistrado.

Todos os casais que estavam na cerimônia já convivem em união estável, um deles, inclusive, Nivaldo Trindade e Cristina Trindade, foram casados, ficaram separados por 13 anos e agora retomaram o relacionamento e fizeram questão de oficializar a união. “E agora vamos fazer tudo certo e vai ser para sempre”, ressaltou o noivo.
Juiz Bruno Rodrigues celebra a união do casal

O juiz Bruno Rodrigues Pinto, que realizou todos os casamentos, se disse feliz em participar da ação. “Pra mim é uma honra e uma felicidade fazer parte da história da vida de vocês”, disse o magistrado, se dirigindo aos casais.

Juntos há 25 anos, o casal Jociane de Araújo e Eli Gomes se casa quando está prestes a comemorar bodas de prata de convivência. O casal tem dois filhos e ambos dizem que tinham vontade de formalizar a união. “Eu sempre tive esse desejo, mas acredito que esteja acontecendo na hora certa, nós estamos muito felizes e nossos filhos também”, diz Jociane.

Muito emocionada, Dayana Rangel conta que ela e Pedro Rômulo já vivem juntos há 12 anos e tem dois filhos e que esse momento será marcante e trará renovo para o relacionamento. “Eu sempre quis, mas foi na hora certa e está sendo muito especial”, conta ela.

O marido, Pedro Rômulo, conta que o custo alto do casamento acabou sendo também um impeditivo pra que a família formalizasse o relacionamento. “Aí quando surgiu essa oportunidade nós agarramos e falamos, não, dessa vez a gente casa. E hoje estamos aqui”, comemorou.

Cristina Trindade e Nivaldo Trindade foram casados, ficaram separados por 12 anos e nesta sexta se casaram pela segunda vez. Cistina brinca que ele não agüentou de saudade, mas Nivaldo diz que a iniciativa do retorno após todos esses anos afastados partiu dos dois. Eles contam que querem fazer de tudo para que desta vez a união de certo. “Dessa vez seremos felizes para sempre, até quando Papai do Céu chamar”, diz Nivaldo.

Para se habilitar para o casamento comunitário é preciso que o casal comprove que não tem condições financeiras de pagar as custas cartoriais, que hoje são em torno de R$1.200. O atendimento é feito tanto no Fórum de Campos quanto no ônibus da Justiça Itinerante.
Fonte: Terceira Via

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