segunda-feira, 14 de agosto de 2023

“Geramos mais de 20 mil empregos”

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Maurício Cabral fala das expectativas e desafios do setor em Campos

POR ALOYSIO BALBI
(Foto: Divulgação)

Maurício Cabral, especialista em análise de sistema e em consultoria tributária, que atua em gestão empresarial, é o novo presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Campos (Sindivarejo). Ele faz nesta entrevista uma análise do comércio de Campos, desde a expectativa para a revitalização da área central até a geração de empregos no setor.

O presidente do Sindivarejo afirma que o comércio de Campos vai continuar sendo o maior gerador de empregos do município, com mais de 20 mil postos de trabalho.

Como especialista em tributação, Cabral também fala da Reforma Tributária, que tramita no Congresso Nacional. Afirma que o setor privado é o protagonista dos grandes investimentos na economia, inclusive no aspecto de inclusão social, e que esta reforma, se bem-feita, pode melhorar bastante a economia.

Como você avalia a situação do Centro de Campos? Essa revitalização vai acontecer mesmo?
Requer muita atenção e uma ação conjunta com a iniciativa pública e privada. Como já ocorre nas grandes capitais, o Centro de Campos não ficou diferente da falta de movimento em relação aos anos 2000. Sobre a revitalização, o prefeito Wladimir, em reunião conjunta com seus secretários e as entidades de classe, apresentou o projeto do Retrofit e demonstrou publicamente seu interesse e a vontade, juntamente com a iniciativa privada, de iniciar a revitalização do Centro. Essa demanda existe há mais de 20 anos e precisamos que ela definitivamente ocorra!

Muitos defendem como solução os projetos residenciais no entorno do Centro e no próprio Centro. O que você acha?
É uma das ações que irão fazer parte para que a movimentação no Centro ocorra outra vez, principalmente, porque, estes novos moradores irão comprar produtos e serviços dos comércios próximos. Porém, outras ações devem e poderão ser tomadas, como, por exemplo: recolocar as secretarias e os serviços da Prefeitura no centro da cidade; melhorar a oferta do transporte público e melhorar o acesso; os proprietários dos imóveis comerciais ofertarem um aluguel mais convidativo mesmo com prazos menores; A revitalização do Mercado Municipal, tornando-o um mercado modelo e convidativo é uma ação imprescindível tanto quanto o Retrofit.

Na sua avaliação, o comércio corre o risco de deixar de ser o setor que mais gera empregos em Campos?
Ainda não ocorre esse risco, porém devemos fortalecer o setor e também diversificar os empregos através da indústria, do turismo e do agronegócio, que serão molas mestras de fortalecimento ao próprio comércio. O comércio de Campos gera 22.742 empregos (ano 2021) o que representa uma massa salarial de R$ 36.577.406,94 na época.

O Sindivarejo tem participado de todos os debates da sociedade organizada. Isso será intensificado na sua gestão?
Sim. Primeiramente, faz parte das prerrogativas e deveres do Sindivarejo que, no artigo 2º do seu estatuto, prevê estas ações frente à sociedade civil organizada. Partindo deste princípio, procuramos, desde o início da nossa gestão, intensificar e desenvolver estas ações trabalhando “a quatro mãos”, junto às entidades e conselhos de classe das coirmãs e parceiras do Sindivarejo, como também do poder público e iniciativa privada, para estarmos atuantes e presentes nos debates que visam o desenvolvimento econômico e social do nosso município.

Existe muita especulação sobre a vinda de grandes lojas para Campos, que tem um grande mercado. A tendência é isso acontecer?
Isso já vem ocorrendo há bastante tempo, vide os segmentos de farmácias/drogarias, lojas de departamentos, atacados e distribuidoras. Isso vai continuar acontecendo e é um movimento comum dos grandes varejistas e atacadistas por Campos se mostrar um mercado de consumo grande no interior do Rio de Janeiro.

Há um esforço para que o comércio de Campos forneça mais itens e serviços para o Porto do Açu. Como avalia isso?
Necessário e importantíssimo. Vimos que as próprias empresas do Porto do Açu estão engajadas nesse processo, através da qualificação e capacitação dos fornecedores aqui no nosso município. Além das parcerias com o Sebrae, Firjan, instituições de ensino, etc., nesta qualificação, outras ações são as rodadas de negócios realizadas constantemente pelas empresas do Porto em Campos em parcerias com importantes entidades do município.

Existem corredores comerciais fora da dita área central, como Goitacazes e Travessão, onde o comércio passou a ficar forte. Isso é positivo?
Sim! Muito positivo, pois permitiu absorver, manter e gerar empregos que não iriam ser absorvidos pelo Centro de Campos pela grande extensão territorial do nosso município. Veja que os grandes bancos já tinham sinalizando estes movimentos em Guarus e Goitacazes há muitos anos. Os distritos de Goitacazes, Donana, Baixa Grande, Morro do Coco, Farol de São Thomé, etc., já vinham realizando estes movimentos de fortalecimento do comércio pela conveniência e pela facilidade de acesso.

O Natal de 2023 está se aproximando. Existe a expectativa de que este seja o melhor Natal pós-pandemia?
Acreditamos que sim! No Natal de 2022 ainda existia um comprometimento da renda em função deste período pós-pandemia, o que trouxe cautela nas compras. Mas também é necessário que os comerciantes adotem medidas para impulsionar as vendas nesse período, por meio de promoções, divulgação e propaganda, vendas on-line da própria loja e atendimento diferenciado.

Em um quadro geral, como você avalia até aqui a política econômica do país?
Com certa preocupação! Apenas no primeiro semestre de 2023 registramos nas contas públicas um déficit de R$ 42,5 bilhões, de acordo com os dados divulgados pelo próprio Tesouro Nacional. É o pior resultado para o período desde 2021. Por outro lado, apesar dos inegáveis problemas que nós temos no Brasil, fatores externos e que ajudam a economia, somados à baixa de juros, isso junto à super safra e a retomada do mercado, vêm fazendo com o que o país cresça acima da expectativa. Isso vem permitindo um sólido crescimento de empregos e da renda, somado à expansão do crédito. Então, o controle dos gastos públicos é importante para a retomada do crescimento do país. Vale lembrar também que, em relação à Reforma Tributária, se ela não for realmente significativa em relação à redução da carga tributária brasileira e convidativa a novos investimentos privados, esse quadro tende a ficar pior, pois a iniciativa privada é o maior protagonista de inclusão social e desenvolvimento econômico de qualquer país.

Com o que se prevê, você acredita que o comércio de Campos possa gerar mais empregos?
Essa será uma tendência, mas ela se dará, num primeiro momento, de forma gradativa, no decorrer deste segundo semestre e ao longo de 2024. Estamos e temos que trabalhar para que consigamos gerar, pelo menos, uma CLT para cada um dos 16.609 CNPJs com atividade econômica (CNAE) de Comércio Varejista/Atacadista do nosso município.
Fonte: J3News

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