Segundo FCJOL, acervo está sendo inventariado. Em seguida, livros e documentos serão restaurados e digitalizados
POR ALOYSIO BALBI
Palácio da Cultura
Após sete anos de espera, a Biblioteca Nilo Peçanha, que funcionava no Palácio da Cultura, será reaberta ao público em março do ano que vem. Pelo menos é o que espera a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Auxiliadora Freitas. O Palácio da Cultura foi desativado em 2014 para reforma e, deste período até 2017, a Biblioteca Municipal funcionou, com seu acervo reduzido, em um casarão na Rua Salvador Correia. A outra parte dos livros e documentos que compõem a coleção ficou espalhada por vários imóveis durante a desativação. Segundo Auxiliadora, esse acervo já foi recolhido e, neste momento, passa por um inventário, além de restauração.Também de acordo com Auxiliadora, apesar da recente obra, a estrutura do prédio ainda não permite receber de volta a Biblioteca Nilo Peçanha. “Estamos trabalhando duro no objetivo de reabri-la no início do ano que vem. O Palácio da Cultura precisa passar por obras para sanear problemas de goteiras, troca da elétrica e hidráulica, por pintura interna e outros procedimentos, como climatização, além de obras estruturantes de divisões internas do seu espaço”, disse a presidente da Fundação.Auxiliadora revela que todo o acervo literário da Biblioteca Nilo Peçanha está sendo preparado para ser digitalizado. O conteúdo poderá ser consultado de forma remota, através da Internet.“Isso não significa que não teremos pesquisas presenciais. A biblioteca terá o seu mobiliário para pesquisas e vamos manter o mobiliário do escritório de Nilo Peçanha, o único campista que chegou à Presidência da República, e que dá nome ao espaço”, disse Auxiliadora.A Biblioteca Municipal de Farol de São Tomé, que tem um acervo bem menor, porém não menos rico, deverá ser reaberta, segundo Auxiliadora, durante o próximo verão.
Área interna do Palácio da Cultura
Cultura como protagonistaAuxiliadora confirmou o projeto que vai integrar Cultura, Educação, Ciência e Tecnologia no Palácio da Cultura, com a implantação do Centro Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Cetec).“Mas queremos que a Cultura não perca o papel do protagonista. O prédio vai se chamar sempre Palácio da Cultura. Essas obras internas vão permitir um funcionamento híbrido, ou seja, a Biblioteca Municipal e o Centro de Inovações Tecnológicas e outros segmentos”, acrescentou Auxiliadora.A presidente da FCJOL disse que, em um segundo momento, no curso de 2022, o Auditório Prata Tavares, no subsolo do prédio, passará por reforma, objetivando transformá-lo em uma imensa sala multimídia, servindo também como cinema com ingressos populares.Um prédio múltiploVoltando às melhorias no Palácio da Cultura, elas levarão em consideração, seguindo a Auxiliadora Freitas, a importância do prédio, que faz parte da história de Campos e da vida de diferentes gerações. As obras vão contemplar os espaços de modo a promover a integração entre as áreas. Contudo, a Fundação não deu prazo para o início dos trabalhos.“Quando chegamos, encontramos um projeto estruturado, no qual a vertente cultural estava bastante comprometida e a gente tinha, inclusive, uma demanda do Conselho de Cultura, que não concordava com a forma como esse processo estava sendo apresentado”, destacou.
Auxiliadora Freitas, presidente da FCJOL
Novos espaços
O secretário de Planejamento, Cláudio Valadares, adiantou como será a divisão dos segmentos no prédio. O Palácio da Cultura terá espaço para exposições e atividades, auditório, administração da FCJOL, sala de reuniões, audioteca, filmoteca e biblioteca, área multiuso, telecentro, biblioteca infantil, acervo de jornais, arena, Academia Pedralva, recepção, diretoria, coworking, salas de consultoria, sala de reuniões, área de circulação, entre outras.
“Entendemos que esse projeto contempla equilibradamente todas as áreas, fazendo com que as atividades se desenvolvam de forma integrada”, disse o secretário, lembrando que posteriormente serão contemplados o subsolo e o Pantheon dos Heróis Campistas.
Imbróglio
A desativação do prédio aconteceu em abril de 2014 para a reforma então orçada em R$ 2.739.912,96. A previsão inicial, de acordo com a Prefeitura, era de que o Palácio da Cultura fosse entregue à população em maio de 2015. Ainda no governo Rosinha o projeto foi interrompido pela primeira vez e retomado em abril de 2015.
Logo depois foi a obra foi paralisada novamente e só foi retomada em 2018, com o valor de R$ 1,2 milhão, mediante uma medida compensatória da empresa proprietária da área do prédio histórico Casarão Clube do Chacrinha (localizado na Rua 13 de Maio), demolido indevidamente em 2013. A obra chegou a ser entregue pelo então prefeito Rafael Diniz, nos últimos dias de seu mandato. No entanto, a atual administração questionou a situação em que o prédio foi entregue. Após visita técnica ao local, a presidente da FCJOL afirmou ter constatado infiltrações, trechos de iluminação expostos, modificações irregulares e setores sem condições de uso.
Fonte:Terceira Via