segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Febre maculosa ainda preocupa especialistas

Em Campos, o município aumentou a vigilância, com capacitação dos profissionais de saúde para lidar com a doença
Dr. Rodrigo Carneiro


Com oito notificações suspeitas, até agora, e uma morte (uma criança de 10 anos, moradora de Três Vendas, no mês passado), a febre maculosa tem preocupado especialistas em Campos. Seis casos já foram descartados no município. O subsecretário de Atenção Básica, Vigilância e Promoção da Saúde, Rodrigo Carneiro, diz que entre as medidas tomadas pelo município para conter a doença está o aumento da sensibilidade da vigilância, por meio de capacitação dos profissionais de saúde, com treinamentos específicos para febre maculosa, podendo, assim, fazer o diagnóstico precocemente e instituir o tratamento. Também tem sido feito trabalho de campo, no qual o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realiza busca ativa para coleta de carrapatos para análise laboratorial. Essa análise é feita pelo Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).


“Informamos ainda que os Locais Prováveis de Infecção (LPI) dos casos notificados à subsecretaria receberam o trabalho de busca ativa do CCZ para identificação e recolhimento de amostras de carrapato para análise laboratorial. Também foram realizadas dedetização e orientação quanto à higienização do ambiente e animais domésticos”, esclarece o especialista.
A febre maculosa é transmitida por carrapato do gênero Amblyomma sculptum, mais conhecido como carrapato-estrela, infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. Ele pode ser encontrado em capivaras, cavalos e marsupiais, como gambá, e cães que circulam em regiões com infestação. A infecção ocorre com maior frequência em área rural devido à proximidade com o hospedeiro, mas também pode ocorrer em locais urbanos por causa do contato de animais com o carrapato infectado e, posteriormente, com o homem.
“No caso de encontrar carrapato fixado à pele, não espremer com as unhas, para não se contaminar. O ideal é retirá-lo com calma, com leves torções, com auxílio de uma pinça que deverá prender o aparelho bucal e não o corpo do carrapato. Feito isso, deve observar se terá os sinais e sintomas, como febre alta, dores de cabeça intensas, dor muscular e articular, dor abdominal, diarreia e exantema (manchas avermelhadas). Eles costumam aparecer entre dois e 14 dias após a picada do carrapato infectado. Caso a pessoa apresente sintomas, procure atendimento médico nas unidades de urgência e emergência, como, por exemplo, nas Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) e Hospital São José”, aconselha o subsecretário.

Carrapato-estrela transmite a doença

Notificação compulsória
De acordo com o Ministério da Saúde, todo caso de febre maculosa é de notificação obrigatória às autoridades locais de saúde. Deve-se iniciar a investigação epidemiológica em até 48 horas após a notificação, avaliando a necessidade de adoção de medidas de controle pertinentes. Os sintomas da doença são: febre; dor de cabeça intensa; náuseas e vômitos; diarreia e dor abdominal; dor muscular constante; inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés; gangrena nos dedos e orelhas; paralisia dos membros que inicia nas pernas e vai subindo até os pulmões, causando parada respiratória.


Com a evolução da febre maculosa é comum o aparecimento de manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos, que não coçam, mas que podem aumentar em direção às palmas das mãos, braços ou solas dos pés.
Ainda segundo o Ministério da Saúde, o tratamento da Febre Maculosa é essencial para evitar formas mais graves da doença e até mesmo a morte. O tratamento é feito com antibiótico específico. Em determinados casos, pode ser necessária a internação. A medicação é ministrada por um período de 7 dias, devendo ser mantida por 3 dias, após o término da febre. Devem ser adotadas algumas medidas para evitar a doença, principalmente em locais onde haverá exposição a carrapatos, como, por exemplo, usar roupas claras, para ajudar a identificar o carrapato. Os especialistas aconselham ainda o uso de calças, botas e blusas com mangas compridas ao caminhar em áreas arborizadas e gramadas. É necessário evitar andar em locais com grama ou vegetação alta, usar repelentes de insetos e verificar se os animais de estimação estão com carrapatos.
Terceira Via/Show Francisco

Aumento do consumo de energia solar traz projeções otimistas ao setor

País supera marca de 19 gigawatts de potência instalada dessa fonte

Foto: Ilustrativa/Agência Brasil

O setor de energia solar tem comemorado o aumento da adesão aos sistemas de produção de energia fotovoltaica no Brasil. O país ultrapassou a marca de 19 gigawatts (GW) de potência instalada da fonte solar fotovoltaica. Desse total, 13 GW são de potência instalada em telhados, fachadas e pequenos terrenos e o restante corresponde às usinas de grande porte. É um número considerado histórico pelo setor. A título de comparação, a Usina Hidrelétrica de Itaipu gera 14 GW de potência instalada.

O número consolida a fonte solar como a terceira maior geradora de energia no país, atrás apenas das fontes hidrelétricas e eólica. A captação de luz solar por placas fotovoltaicas e a transformação dessa luz em energia representa, hoje, 9,6% da matriz elétrica do país. De janeiro a setembro, houve aumento de 46,1%, com crescimento médio de 1 GW por mês nos últimos 120 dias.

Os dados são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Com base neles, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a capacidade instalada poderá dobrar até o início de 2023. O incentivo, em forma de desconto na tarifa, para consumidores instalarem o sistema em suas casas é uma das razões para a projeção.

De acordo com a Lei 14.300/2022, que institui o marco legal da microgeração e minigeração distribuída, os consumidores que instalarem sistema solar em suas residências e empresas até 2023 pagarão mais barato pela tarifa até 2045. A tarifa será calculada apenas sobre a diferença positiva entre o montante consumido e a soma da energia elétrica injetada no referido mês.

A energia gerada por luz solar é uma energia limpa, que não produz resíduo ou poluição. Segundo a Absolar, esse tipo de energia evitou a emissão de 27,8 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade. O custo de instalação, no entanto, não é baixo. Para residências, o preço médio de instalação é de R$ 25 mil; para indústrias, R$ 200 mil.

O preço vem caindo. De acordo com a Solstar, empresa do setor, os custos caíram cerca de 44% nos últimos seis anos. Existe ainda um incentivo fiscal, a isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na venda do kit completo (inversor + módulos). A Solstar destaca ainda a abertura de linhas de crédito para compra de sistemas fotovoltaicos.

Sustentabilidade
Para a CNI, as empresas brasileiras têm buscado adotar a agenda sustentável, indo ao encontro do compromisso firmado pelo Brasil para redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) estabelecidas no Acordo de Paris. O compromisso do país é reduzir 37% até 2025 e 50% até 2030.

“Muitas empresas têm investido em projetos de eficiência energética. Isso significa usar menos energia para obter o mesmo resultado, e esse resultado pode ser alcançado por meio de melhorias tecnológicas ou de mudanças na gestão energética das empresas”, afirmou o gerente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.
Fonte: Agência Brasil/Show Francisco

SFI e Baixada Campista sem previsão do Corpo de Bombeiros

Regiões lutam para instalação da corporação; Atualmente, quartéis de Campos atendem a vários municípios

Antiga fábria de macarrão foi um dos locais cogitados para instalação do órgão

Localizado no extremo Norte do Estado do Rio de Janeiro, na divisa com o Estado do Espírito Santo, o município de São Francisco de Itabapoana (SFI) não possui unidade do Corpo de Bombeiros. A cidade é atendida pelos quartéis de Campos, distantes mais de 70 quilômetros. Por conta desta necessidade de atender a outras cidades, regiões de Campos também costumam ficar ‘descobertas’ de atendimento, sem contar a própria extensão territorial campista. Foi o que gerou uma discussão sobre a possibilidade de criação e instalação de um destacamento do órgão na Baixada Campista, mas o projeto está na gaveta do Governo do Estado.
De acordo com a Prefeitura de SFI, o município tem necessidade da instalação de um Destacamento do Corpo de Bombeiros devido à demanda para a prevenção e combate a incêndios em residências, comércios e florestais de grandes proporções, buscas, salvamentos e socorros públicos, principalmente acidentes de trânsito que necessitam da retirada de vítimas presas às ferragens. Os casos mais complexos, de acordo com a prefeitura, são atendidos atualmente pelas unidades do 5º Grupamento de Bombeiros Militar (GBM-Campos), localizadas no Centro da cidade ou no subdistrito de Guarus. Estes quartéis também atendem a municípios vizinhos como São João da Barra e São Fidélis.

Quartel mais próximo fica em Campos

Outras demandas de São Francisco de Itabapoana, no entanto, são atendidas por órgãos da própria Prefeitura. A cidade possui três bases do Resgate Municipal da Secretaria de Saúde, instaladas no Centro, na praia de Gargaú e no distrito de Barra do Itabapoana. O objetivo é socorrer acidentados, vítimas de tiros, facadas, agressões, quedas, entre outros. Porém, de acordo com a Prefeitura, a estrutura do resgate municipal não dispõe de equipamentos para desencarceramento (retirada de vítimas presas às ferragens).

Outras soluções encontradas pelo município de SFI
A Guarda Ambiental (GAM), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) de São Francisco de Itabapoana, presta atendimento em relação ao combate a incêndios florestais de pequenas e médias proporções e cortes de árvores que apresentem risco iminente de queda e de provocar acidentes.
A Defesa Civil Municipal, órgão subordinado à Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Defesa Civil (Sesep), também presta atendimentos auxiliando nestas demandas.

O município afirma estar em diálogo com o Governo do Estado para ter na cidade um destacamento do Corpo de Bombeiros. “Estamos providenciando a parte documental de solicitações e provas estatísticas de ocorrências para consolidar junto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro a instalação da unidade de Destacamento do Corpo de Bombeiros em SFI”, informou a assessoria de comunicação do Município, por meio de nota.
Em fevereiro de 2021, a prefeita de SFI, Francimara Barbosa Lemos, se reuniu com o governador Cláudio Castro, no Palácio Guanabara, sede oficial do Governo do Estado. Ela reivindicou, entre outras coisas, a instalação de um Posto Avançado do Corpo de Bombeiro para um atendimento mais ágil e eficiente em casos de acidentes de trânsito com vítimas presas às ferragens, combate a incêndios, e outros serviços importantes. O Jornal Terceira Via entrou em contato com o Governo do Estado, mas não obteve resposta – até o fechamento desta edição – sobre a instalação do órgão em SFI.

Destacamento do Corpo de Bombeiros em Campos
Em setembro do ano passado, o prefeito Wladimir Garotinho e o subsecretário de Estado de Defesa Civil, coronel bombeiro Márcio Romano, que representou o secretário e comandante do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, visitaram três locais na Baixada Campista para a possível instalação de um destacamento na Baixada Campista. A UBS de Mussurepe, a antiga fábrica de macarrão e uma área no terreno que tem mais de 90 mil m² para uma nova construção. Sobre o andamento desta parceria, o Jornal Terceira entrou em contato com a Defesa Civil do Estado e não recebeu retorno até o fechamento desta edição. A Prefeitura de Campos não informou novidades sobre o assunto.
Terceira Via/Show Francisco

Mutirão de combate ao câncer de pele prossegue no Centro Dia do Idoso, em Campos

Acompanhamento de manchas na pele é recomendado; doença pode se desenvolver e requer atenção

Foto Divulgação

O Centro Dia do Idoso, equipamento da Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, ligado à Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social promoveu a 14ª edição do mutirão de combate e tratamento precoce ao câncer de pele. Nesta edição, o mutirão atingiu a marca de 300 pacientes atendidos em 2022.

O Centro Dia atende maiores de 60 anos. “Todo mês realizamos mutirões de prevenção ao câncer de pele no Centro Dia, onde são atendidos, em média, 20 idosos. Além destes mutirões, também temos promovido outras ações de conscientização e prevenção que envolvem os idosos, tanto no Centro Dia como na Policlínica da Terceira Idade”, afirma Rosilani Tavares, subsecretária de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa.

A dermatologista Ana Paula Almeida, falou sobre o tratamento executado durante o mutirão. “Nós recebemos mensalmente, de 18 a 20 pacientes durante o mutirão. Esse trabalho serve como prevenção para os idosos, que são examinados e acompanhados de perto. Além disso, também realizamos o processo de cauterização química, que ajuda a conter o avanço de manchas e a clarear a pele”, afirmou a dermatologista.

Ao todo foram realizados, somente neste ano, mais de 300 atendimentos somando todos os pacientes. Em alguns casos, idosos atendidos são recomendados a voltar, para que seja feito o acompanhamento de possíveis manchas que venham, posteriormente, se desenvolver e se transformar em um câncer de pele.
Fonte: Secom/PMCG/Show Francisco

Desfile das delegações marca a abertura dos Jogos Estudantis


Uma cerimônia marcou a abertura dos Jogos Estudantis da rede municipal de ensino de São Francisco de Itabapoana (SFI), que terá provas de Futebol, Futsal, Queimada Feminino e Salto em Distância. A solenidade aconteceu no sábado (8), no Ginásio Poliesportivo Florecilda Cerqueira Azevedo, na localidade de Volta Redonda, e teve a presença dos atletas estudantes, além de integrantes das secretarias municipais de Educação e Cultura (SMEC) e de Esporte e Lazer, que organizam o evento.

Durante a cerimônia, houve o desfile das delegações das escolas participantes. Dois alunos carregaram a tocha revezando-a com dois cadeirantes, sendo acesa a pira olímpica, marcando a abertura oficial dos jogos. Os secretários Robson Santana (SMEC) e Domires Júnior Gomes, o Pachola (Esporte e Lazer), representaram a prefeita Francimara Barbosa Lemos.

A competição será disputada no Ginásio Poliesportivo Florecilda Cerqueira Azevedo e começará no dia próximo dia 22 com o Futebol e Futsal sub-14, Queimada Feminino e as provas de Atletismo sub-14 e sub-17 nas modalidades Corrida 75m e 100m respectivamente, além de Salto em Distância.

Já no dia 5 de novembro, haverá Futebol e Futsal sub-17 encerrando os Jogos Estudantis. As equipes colocadas do 1º ao 3º lugar serão premiadas: no Futebol, Futsal e Queimada com troféu e medalhas (ouro, prata e bronze) e no Atletismo, apenas com medalhas.

“Praticar esporte é muito importante para a infância e adolescência. Além de podermos revelar potenciais futuros atletas profissionais, ainda estamos contribuindo para que tenhamos adultos com melhor qualidade de vida através de práticas saudáveis”, ressaltou a prefeita Francimara.








AsCom

Falta de sol e pouca chuva devem quebrar a safra em 2023

Combinação climática rara na região pode reduzir a produção da cana-de-açúcar em até 15%

A combinação da falta de chuva e de sol, situação rara na região, é apontada pelo setor sucroalcooleiro como a responsável pela quebra da safra de cana-de-açúcar do ano que vem e essa queda da produtividade deve ficar entre 10% e 15%, conforme já admite o presidente da Associação Fluminense dos Produtores de Cana (Asflucan), Tito Inojosa. A escassez de chuva e também de sol em 2022 causou o que pode ser definido como tempestade perfeita para quebrar a safra, depois de um período de meia década de crescimento.

Com isso, a produção de cana, que esse ano alcançou a marca de 1 milhão e 800 mil toneladas, poderá cair para 1 milhão e 300 mil, quando o que se previa era uma safra de 2 milhões de toneladas. Segundo Tido Inojosa, ainda não é possível precisar em números o prejuízo que será causado pela falta de chuva e também de sol.
“Minha infância toda foi em um parque fabril de usina. São mais de 50 anos neste ambiente e nunca vi uma combinação climática tão danosa. Esse efeito é novo e vamos ter que aprender a lidar com suas consequências, embora estejamos monitorando tudo com as universidades, principalmente com a Rural do Rio de Janeiro”, disse o presidente da Asflucan.
Ele garantiu que o setor tende a crescer, mesmo com essa adversidade, confirmando que a nova usina Paraíso, em Tócos, começará a moer em 2023.
“Apesar disso tudo, nossa meta é de crescimento e teremos essa nova unidade entrando em operação ano que vem, em uma safra um pouco menor, mas já com cana garantida. Esperamos que a de 2024 seja bem mais expressiva”, afirmou Tito.
Tito Inojosa

Insolação
O técnico em meteorologia Carlos Augusto Souto de Alencar explicou didaticamente esse fenômeno meteorológico, que é chamado de “insolação”, ou seja, a quantidade de tempo que o Sol aparece no céu sem estar encoberto por nuvens.
“Ela é medida por um equipamento chamado heliógrafo. Os dados de insolação têm importância muito significativa porque muitas plantas, entre elas a cana-de-açúcar, precisam de uma quantidade de radiação solar para se desenvolver em determinadas fases de seu crescimento. Se essa insolação for menor do que o necessário, acaba afetando a produção, no caso da cana-de-açúcar e de outros plantios. Esse ano tivemos um inverno mais frio e mais úmido, o que gerou mais nebulosidade, em Campos e em seu entorno. Isso diminuiu a insolação e afetou a produção canavieira”, esclareceu.

Causa da chuva e da estiagem
O engenheiro agrônomo José Carlos Mendonça, professor de Meteorologia Agrícola da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), confirmou que choveu menos por conta do chamado efeito La Ninã.
“O ano de 2022, sob o efeito do fenômeno La Ninã, vem apresentando alterações no regime pluviométrico da América do Sul e, em particular, no Brasil, com impactos em diferentes setores da economia, principalmente na agricultura e na pecuária. Estiagem prolongada nas regiões Centro-Sul e chuvas acima da média no Nordeste do Brasil estão sendo observadas neste ano. No Estado do Rio de Janeiro, as chuvas de alta intensidade ocorridas no mês de fevereiro geraram acumulado bastante acima da média e tendo como consequência catástrofes na Região Serrana. Em Campos e São João da Barra, diversas localidades ficaram inundadas. Toda essa forte chuva de fevereiro gerou um forte e negativo impacto na economia estadual”, disse o agrônomo.

Mendonça acrescentou que o setor sucroalcooleiro regional, devido às chuvas ocorridas nos meses de janeiro e fevereiro, foi, de certa forma, beneficiado, já que as lavouras de cana-de-açúcar se encontravam em fase de desenvolvimento vegetativo, em pleno crescimento. Porém, o mês de março se mostrou seco, com chuvas bem abaixo do previsto, que se seguiu até a primeira quinzena de abril. A partir de abril, a estiagem começou, mudando totalmente o cenário e as expectativas do setor, que esperava uma safra igual ou superior a do último ano.
“A cana crescida, com a ausência das chuvas, parou de crescer. A cana recém plantada no início do outono teve sua brotação comprometida e a cana colhida teve sua rebrota perdida. Esse fato irá gerar impactos na safra no ano que vem. Isso, somado à diminuição da intensidade do sol, também necessária, é preocupante”, afirmou o agrônomo.

Por conta dessas ocorrências climáticas raras, no que diz respeito ao sol, a moagem se encerrou um mês antes do previsto. O rendimento físico, em toneladas/hectare, ficou cerca de 300 mil toneladas menor que o da safra anterior. No entanto, nem tudo foi negativo para o setor. A forte estiagem fez com que a concentração de açúcar (o famoso graus brix) gerasse um rendimento industrial bastante satisfatório este ano.
“As chuvas retornaram somente no final de setembro. Nos dias 29 e 30/09 registrou-se o volume de 28 mm, após cinco meses de estiagem, reacendendo a esperança do homem do campo, eternamente dependente dos segredos da natureza”, concluiu o agrônomo.
Terceira Via/Show Francisco

domingo, 9 de outubro de 2022

Ladrão roubou e acabou preso pela polícia militar de São Francisco e dinheiro devolvido ao comércio furtado.


Neste sábado, 08, por volta das 19:40, um indivíduo cometeu um assalto a uma farmácia no centro de São Francisco do Itabapoana RJ, subtraindo cerca de R$ 600,00 reais.

A polícia militar da 3ª Cia de São Francisco de Itabapoana foi acionada, onde iniciou diversas buscas, onde prendeu o indivíduo (autor do roubo) e recuperou parte do dinheiro subtraído, pois teria cometido o crime para comprar drogas.

Apresentado a autoridade policial civil judiciária, onde permaneceu preso a disposição da justiça.

Fonte;PM


Campos não elege representante para a Câmara Federal após 40 anos

Para especialistas em política, fragmentação dos votos no município favoreceu candidatos de outras regiões

POR CLÍCIA CRUZ
Câmara Federal

Nas eleições de 2 de outubro, o resultado das urnas deixou Campos dos Goytacazes pela primeira vez sem representação na Câmara Federal em muitos anos. O Jornal Terceira Via fez um levantamento das disputas das últimas quatro décadas. Constatou que, desde o período de 1982, isto é, há 40 anos, o município não ficava sem eleger pelo menos um deputado federal. A falta de um parlamentar local no Congresso Nacional para lutar diretamente pelos interesses do município é considerada uma grande perda. Nos últimos anos, por exemplo, Campos precisou de muitos recursos federais para a execução de obras. Ex-deputados federais e analistas políticos avaliam este momento após a eleição.


O prefeito Wladimir Garotinho exerceu o mandato de deputado federal por dois anos antes de decidir concorrer às eleições municipais em Campos. Ele acredita que a polarização pode ter prejudicado a questão da eleição proporcional.
“Toda eleição é sempre muito dinâmica, envolve fatores pessoais, partidários, ideológicos. Acho que a polarização das eleições presidenciais pode ter contribuído para o resultado, com uma discussão mais focada na pauta nacional. Em nosso grupo, tivemos um impacto que foi a decisão do Anthony Garotinho de não disputar as eleições, em respeito aos seus eleitores, em função das perseguições de natureza jurídica que enfrentou. Ainda sim, o seu substituto nas eleições, o vereador Juninho Virgílio, com apenas 15 dias de campanha, conseguiu quase 1,5 mil votos por dia, com mais de 22 mil obtidos no total”, destaca.


Wladimir ressalta a importância de poder contar com o apoio de um deputado federal: “A atuação parlamentar é sempre importante na defesa dos municípios. Em Campos, a deputada federal Clarissa Garotinho viabilizou mais de R$80 milhões em emendas, para ações importantes como a construção do Novo Hemocentro, reforma de UBSs, o novo Camelódromo, para Educação, Agricultura e outras áreas. Os deputados federais Christino Áureo (não reeleito) e Hugo Leal (reeleito) foram outros parceiros da cidade que nos ajudaram muito. Eu fui deputado federal e sempre tive ótima relação em Brasília com muitos dos deputados da bancada fluminense. Isso vai ajudar muito. Em Campos, o deputado federal Hugo Leal foi bem votado, teve apoio de nosso grupo e vai ser uma de nossas vozes no Congresso Nacional”, acredita.

O candidato mais votado no município foi Caio Vianna (PSD), com 36.785 votos. Deste total, 27.706 obtidos no município. Ele acredita que poderá assumir uma vaga no Congresso, já que é suplente em seu partido. Para ele, o número de votos obtidos foi uma vitória política. “Primeiro vale ressaltar que fui o deputado federal mais votado de Campos, com quase o dobro da votação do segundo colocado, apoiado pela máquina municipal. E nos consolidamos como a principal força do PSD em nossa região. E vamos seguir trabalhando com a certeza de que estamos prontos para assumir grandes missões, com foco total no desenvolvimento”, disse.


A única representante atual do município na Câmara, Clarissa Garotinho (União), não concorreu à reeleição porque tentou uma cadeira no Senado. Ela não foi eleita. “Mesmo sem mandato, continuarei defendendo os interesses da cidade de Campos, a exemplo do que fiz nos últimos anos, quando consegui articular na Câmara dos Deputados mais de R$ 100 milhões para o município. Nesse sentido, acredito que meu propósito de continuar servindo a população do interior será facilitado com a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, com quem mantenho estreita proximidade política”, disse.

Fragmentação dos votos
Para o cientista político Hamilton Garcia, a fragmentação dos votos foi a causa principal de Campos não ter conseguido eleger nenhum deputado federal. “Isso foi decisivo. Ao que parece, não houve uma boa orquestração regional dos grupos políticos para se fazerem representar no Congresso Nacional”, destacou. Garcia acredita também que os espaços deixados a partir dessas vacâncias serão parcialmente preenchidos por parlamentares de outros municípios:
“Essa representação pode ser estabelecida em algum momento, pois todos os eleitos buscam ampliar o seu raio de ação e aumentar a sua possibilidade de reeleição. Com certeza, outros deputados fluminenses que têm interesse de se enraizar na região Norte Fluminense vão ter interesse nessa representatividade”, diz o cientista político.

José Luis Viana, cientista político


Na análise do professor e cientista político José Luis Vianna, a questão é complexa e vários fatores precisam ser analisados.
“Há alguns fatores que podemos destacar. Primeiro, que o Estado do Rio voltou a ter grupos na capital com bases muito fortes, e, com o tempo, eles conseguiram ser fortes no interior também. Eu também percebo uma certa novidade na eleição em Campos. Houve uma pulverização muito grande de votos e os grupos políticos familiares se tornaram fortes o suficiente para dividir os votos a tal ponto, que nenhum deles conseguiu se eleger. Outro ponto que percebi foi o crescimento do PSol em Campos. Com o PT tendo candidatos com potencial de votos razoável, a soma dos votos dados a partidos de esquerda cresceu, a polarização fez crescer. Se de um lado fortaleceu os candidatos ligados ao Bolsonaro, por outro lado também fez crescer o outro extremo”, observa José Luis.

Históricos deputados federais de Campos
O empresário Alair Ferreira era economista por formação. Nascido em Minas Gerais, construiu suas empresas e sua carreira política em Campos. Dentre seu patrimônio, o mais famoso deles foi a extinta TV Norte Fluminense, na época afiliada à Rede Globo. Assumiu o primeiro mandato na Câmara Federal como suplente na Legislatura 1963-1967. Posteriormente, teve outros quatro mandatos, sendo dois deles eleito diretamente e outros dois como suplente.
O advogado Walter Silva representou Campos em três mandatos como deputado federal. Ele foi eleito em 1970, 1974 e 1978, ainda no período do regime militar. Era considerado bastante atuante na região, com grande repercussão local.


O engenheiro Paulo Feijó foi deputado em cinco legislaturas, sendo eleito diretamente três vezes e duas assumindo como suplente. Nascido em Santa Maria Madalena, Feijó também construiu sua base eleitoral em Campos, onde sempre viveu com a família. Foi um vereador bastante atuante e chegou a presidir a Câmara Municipal nos anos 1990.
O ex-deputado constituinte Major Oswaldo Almeida exerceu apenas um mandato: de 1986 a 1990. Foi eleito com 34 mil votos pelo Partido Liberal. Ele ajudou a escrever a nova Constituição Federal e acompanhou a primeira experiência como parlamentar de Luis Inácio Lula da Silva. “Dei minha contribuição, mas passou. Nunca quis retornar após o mandato concluído em 1990”, disse ao Terceira Via.
Deputados federais da região eleitos nos últimos anos


Deputados federais eleitos por Campos nas últimas décadas
1970, 1974, 1978
Walter Silva

1982
Alair Ferreira

1986
José Maurício
Alair Ferreira
Oswaldo Almeida

1990
Alair Ferreira
José Maurício

1994
Paulo Feijó
Carlos Alberto Campista

1998
Eber Silva

2002
Paulo Feijó
Josias Quintal

2006
Geraldo Pudim
Arnaldo Vianna
Josias Quintal

2010
Anthony Garotinho

2014
Clarissa Garotinho
Paulo Feijó

2018
Wladimir Garotinho
Clarissa Garotinho
Os candidatos a deputado federal mais votados em Campos

Os 10 candidatos a deputado federal mais votados em Campos
Caio Vianna – PSD
10,76%
27.706

Juninho Virgílio – UNIÃO
6,63%
17.077

Luis Carlos Gomes – REPU
3,84%
9.882

Professora Natalia Soares – PSOL
3,62%
9.317

Cabo Alonsimar – PODE
3,28%
8.455

Zé Maria – PT
3,02%
7.767

Hugo Leal – PSD
2,94%
7.561

Leon Gomes – PDT
2,85%
7.336

Daniela do Waguinho – UNIÃO
2,76%
7.118

Marcão Gomes – PL
2,37%
6.090.
Fonte:Terceira Via

Cinco deputados da Alerj têm ligações diretas com Campos

Campos e região elegeram também a Marina do MST, mas pela primeira vez em 40 anos nenhum candidato a deputado federal se elegeu

POR OCINEI TRINDADE
Thiago Rangel
Carla Machado

As eleições deste ano para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) tiveram 1.622 candidatos na disputa pelas 70 vagas no parlamento fluminense. Entre os deputados estaduais eleitos no último dia 2, com ligações diretas ou próximas com o município de Campos dos Goytacazes, estão Rodrigo Bacellar (PL), Bruno Dauaire (União Brasil), Carla Machado (PT), Thiago Rangel (Podemos) e Marina do MST (PT). Com exceção de Bacellar e Dauaire, que conquistaram o segundo mandato ao se reelegerem, os outros três fazem parte de uma renovação na Alerj que chegou a 45,7% neste pleito. São 32 novos deputados que exercerão mandato a partir de 2023.


Em todo o Estado do Rio de Janeiro, o deputado Rodrigo Bacellar conseguiu se reeleger com 97.822 votos. Já Bruno Dauaire, foi reeleito com 68.455 votos. Marina do MST alcançou 46.422 votos, Carla Machado obteve 34.658; e Thiago Rangel, 31.175. Os cinco futuros representantes na Alerj tiveram expressivos votos dos eleitores de Campos. Dauaire conseguiu 47.542 votos (18,40%); Bacellar ficou com 27.407 (10,61%); Carla alcançou 17.936 (6,94%); Marina teve 1.364 votos dos campistas (0,53%); e Thiago, 20.575 votos (7,96%). Estes parlamentares são considerados fundamentais para defender os interesses da região Norte Fluminense na Assembleia Legislativa. No passado recente, Campos contou com nomes de destaque na Alerj, como Anthony Garotinho, Fernando Leite, Roberto Henriques, Geraldo Pudim, João Peixoto, Gil Vianna e Clarissa Garotinho.
Rodrigo Bacellar
Bruno Dauaire


O deputado reeleito Rodrigo Bacellar voltou ao cargo de secretário de Governo na última sexta-feira (7). Ele foi considerado um nome de peso e influência na gestão do governador Cláudio Castro (PL) que, também, conseguiu se reeleger no primeiro turno. “Vejo que muito desse reconhecimento foi pelo fato de ter sido um mandato com ações efetivas, sem ficar contando história. Não fizemos um mandato dentro de gabinete. Andamos por todo o Estado, ouvimos demandas e conseguimos transformar muitos anseios em ações. No caso específico do interior, trabalhamos muito. Levamos o Segurança Presente para Campos, Detran em Guarus, obras em vários bairros, melhorias em estradas e a retomada das obras da Ponte da Integração, que estive por diversas vezes no TCE para ajudar a destravar questões burocráticas. Entre outras ações, graças à sensibilidade e olhar do nosso governador Cláudio Castro” disse Bacellar.


Bruno Dauaire se diz realizado com a reeleição. Ele também atuou no governo estadual à frente da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos:
“A minha votação foi um reconhecimento da população pelo trabalho que realizei no Executivo e como parlamentar. Fizemos uma campanha prestando contas nos bairros e municípios, e ela foi bem entendida no Estado inteiro. Apresentamos nossas propostas, mas também mostramos que fizemos muito pela população. E acredito que essa enorme votação, principalmente em Campos, onde recebi 47.542 votos e me tornei o deputado estadual mais votado da história do município, seja um reconhecimento da população ao trabalho em parceria comigo, do meu irmão, amigo e prefeito Wladimir Garotinho e do governador Cláudio Castro. Sem esquecer de diversas outras cidades onde também ficamos bem colocados, como em São João da Barra, em que fui o segundo mais votado”.




Primeiro mandato
Carla Machado é uma mulher com muita experiência política. Ela foi vereadora duas vezes e prefeita de São João da Barra por quatro mandatos. Este ano, decidiu renunciar ao governo municipal para tentar se eleger deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Nascida em Campos, ela comemorou a vitória para a Alerj. Em suas redes sociais, agradeceu a todos os eleitores e adiantou sobre temas que pretende defender na Assembleia Legislativa:
“Eu sou professora. Não posso deixar de falar da Educação. Vejo a Educação como a oportunidade de transformação do ser humano. Eu consegui levar um campus do IFF para São João da Barra, junto ao Ministério da Educação, mesmo a cidade não tendo a população de 100 mil habitantes como é previsto para a criação de um campus do instituto federal. Quero discutir na Alerj projetos sociais e melhorias no transporte público. Em São João da Barra, por exemplo, consegui implantar o transporte gratuito. A questão da miséria e da fome é muito preocupante. A gente vê isso com frequência em Campos e em outras cidades, além da má distribuição de renda no Estado. Precisamos buscar gerar empregos e desenvolvimento”, disse a deputada eleita.


Outro novato na Alerj, a partir de 2023, é o vereador campista Thiago Rangel. Estreou na política nas eleições municipais de 2020. Ele comemora a conquista de uma vaga na Assembleia do Rio.
“Avalio de maneira positiva esta vitória. Saímos muito fortalecidos, com votação expressiva em Campos e também fora da cidade, principalmente em municípios vizinhos. Sou vereador de primeiro mandato, e nos primeiros 18 meses mostrei que não estou no cargo para benefício pessoal. Tenho certeza de que isso influenciou no resultado. O meu mandato até aqui olhou para todos os setores e classes sociais, prova disso é que fui o autor do projeto de auxílio emergencial municipal, que veio a se tornar o Cartão Goitacá, e que beneficia milhares de famílias em vulnerabilidade. Votei contra o aumento de impostos, defendendo a classe produtiva e mantendo empregos na cidade. Doei metade do meu salário em cestas básicas durante a pandemia, e pude ajudar centenas de famílias através do meu mandato. Tenho uma carreira empresarial de sucesso, e entrei para a política para fazer o que é certo e representar a população. Isso refletiu na escolha dos eleitores que nos deram mais de 31 mil votos de confiança. Minha luta na Alerj será para gerar desenvolvimento na região. Precisamos dar incentivos fiscais aos setores produtores; incentivar ainda mais a agricultura, dando condições aos municípios de ofertar maquinário e técnicos capacitados para o produtor rural, assim como precisamos modernizar a Faetec”, diz Thiago.
Marina do MST

Questão agrária na Alerj
A paranaense Lucia Marina dos Santos, que ficou conhecida como Marina do MST, se mudou para Campos nos anos 2000, para atuar no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, nas áreas das extintas usinas de açúcar, São João e Cambaíba. Viveu na cidade por mais de 15 anos e é formada em serviço social pela UFF-Campos. Ela se mudou para a capital fluminense, onde foi coordenar ações de reforma agrária em vários lugares do Estado e do país. Este ano decidiu concorrer à Alerj e se tornou a primeira deputada estadual representante exclusiva do MST no parlamento fluminense.
“Foram mais de 46 mil homens e mulheres em praticamente todos os municípios do Estado do Rio de Janeiro que depositaram um voto de reconhecimento e confiança nesta trajetória coletiva, e também na minha trajetória de vida e de luta que passa por Campos. A situação de calamidade pela qual passa grande número de famílias no Rio de Janeiro, com aumento da fome (cerca de 2,8 milhões de pessoas diariamente) e do desemprego, é também um ponto de ressonância com nossas propostas. Trazemos para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro o legado do MST no combate à fome e às desigualdades, com a Reforma Agrária Popular como agenda prioritária para trazer oportunidade de trabalho e colocar comida na mesa de quem mais precisa. O povo não aguenta mais passar fome, ter que escolher se vai almoçar ou jantar, com o cenário de degradação de direitos e aumento do desemprego”, diz Marina.

Renovação da Alerj
Com 17 deputados, o PL é o partido que elegeu mais representantes na Alerj. A segunda legenda é União Brasil com 8 deputados. A federação PT/PV/PCdoB elegeu oito parlamentares. Com isso, o PT passou a ser o terceiro partido com mais deputados, após o aumento de dois para sete parlamentares. O PSD, que é o quarto, também se expandiu e passou de cinco para seis. A Federação Psol/Rede conquistou cinco vagas, sendo quatro do Psol.
Para o historiador e analista político José Fernando Rodrigues, a renovação da Alerj de 45,7% é considerada alta. “Alguns aspectos chamam a atenção como o número enorme de deputados do PL, partido do governador Cláudio Castro e do presidente Jair Bolsonaro. Isso acabou sendo uma alavanca para o crescimento de deputados do Partido Liberal. O Rio de Janeiro conta com uma bancada conservadora, seguindo a tendência nacional.
O analista elogia o aumento de mulheres na composição da Alerj, que passou de 12 para 15 parlamentares. “Há mulheres trans nesse processo, além de mulheres pretas e indígenas, e uma candidata que se reconhece asiática; e candidatos homens eleitos que se autodeclaram pretos ou pardos. Acho isso importantíssimo. Talvez, o espectro tenha dado a dimensão de uma renovação nesse sentido. A ala progressista é dona de uma representatividade e de vinculação aos movimentos sociais que precisa ser enaltecida. Acho que isso nos dá a dimensão de para onde os novos grupos sociais e os movimentos sociais estão indo”, conclui.
José Fernando Rodrigues

Votos em Campos para Alerj
Bruno Dauaire (União)
18,40%
47.542

Rodrigo Bacellar (PL)
10,61%
27.407

Thiago Rangel (Podemos)
7,96%
20.575

Carla Machado (PT)
6,94%
17.936

Marina do MST (PT)
0,53%
1.364

Total de votos no Estado do RJ

Rodrigo Bacellar (PL) – 97.822

Bruno Dauaire (União Brasil) – 68.455

Carla Machado (PT) – 34.658

Thiago Rangel (Podemos) – 31.175

Marina do MST (PT) – 46.422.
Fonte:Terceira Via

Para biólogo, ataque sangrento a galinheiro em SFI não seria de lobo-guará

DORA PAULA PAES
Resgate de um lobo-guará em SFI em 2020 / Divulgação


O lobo-guará não seria o responsável pelo recente ataque a um galinheiro em um sítio em São Francisco de Itabapoana, de acordo com o biólogo Leandro Rabello, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). O relato de suposto ataque a um galinheiro em um sítio, que deixou 80 galinhas mortas, chamou atenção dele. Segundo o biólogo, tudo leva a crer que seja um ataque, em matilha, de cachorros domésticos e que a população — que está avistando lobos-guará nas regiões do Norte e Noroeste Fluminense —, pela pouca informação, pode estar atribuindo ao animal, oriundo do Cerrado brasileiro.
De acordo com o Rabello, o lobo-guará é um animal solitário, que não anda em bando, o que tornaria impossível um ataque dessa magnitude de violência. “Em primeiro lugar, os lobos-guará são animais solitários, não andam em bando. Eles se alimentam principalmente de frutos e insetos e não invadiriam um galinheiro para matar tantas galinhas, muito menos 'priorizando sangue'. Os lobos são muito ariscos e tendem a evitar locais com presença humana”, explicou o biólogo.

— Por outro lado, o evento (em um sítio em São Francisco de Itabapoana) se encaixa bem em um padrão esperado de ataque de uma matilha de cachorros domésticos — disse ele, que ressalta: “É importante chamar a atenção para a ocorrência de animais silvestres em áreas urbanas ou em periferias de cidades, assim como os problemas de atropelamentos. A conservação das espécies é um tópico relevante, mas ao colocar a definição do evento como 'ataque de lobo-guará', pode-se gerar um efeito inverso, com a população ficando contra os animais ou com medo dos mesmos”.

Com a incidência frequente de animais silvestres do bioma brasileiro se aproximando cada vez mais das cidades, a orientação é que a população acione as autoridades ambientais para que o animal possa ser recolhido e assistido.
Caso de resgate — Em fevereiro de 2020, um lobo-guará chegou a ser resgatado em São Francisco de Itabapoana, próximo à Estação Ecológica Estadual de Guaxindiba. A operação foi da secretaria municipal de Meio Ambiente e Defesa Civil. Na ocasião, o animal estava com ferimento em uma das suas patas e caído na estrada. Ele foi levado para a Uenf. O lobo-guará é um canídeo. O maior da América Latina, podendo atingir entre 20 e 30 kg de peso e até 90 cm de altura.
Fonte:Fmanhã