segunda-feira, 24 de abril de 2023

Campos se torna a segunda cidade do Estado em geração de energia solar

ÉDER SOUZA 
Foto: Rodrigo Silveira

A sustentabilidade aliada à economia, por meio da geração de energia solar, tem sido cada vez mais presente em residências e empresas de Campos. A transformação do raio do sol em energia, com a adoção de painéis, sugere uma redução de 95% nas contas. Com essa transformação sendo feita através dos telhados, Campos se destaca e se torna a segunda cidade do Estado do Rio na geração da energia limpa.

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram Campos com 7.748 unidades geradoras com capacidade instalada de 57,8 MW (Megawatts), contra 42,5 MW das 6.463 unidades geradoras de Niterói, terceira no ranking Estadual. Em primeiro lugar está a capital, com capacidade instalada de 133 MW. A previsão é que, no segundo semestre de 2023, o município tenha 23 Usinas Fotovoltáicas que representam capacidade instalada acima de 160 Megawatts, ultrapassando a marca atual da capital, cidade do Rio de Janeiro.

O potencial de energia solar fotovoltaica na cidade cresceu 200% entre 2020 e 2022. Ao olhar o segundo bimestre deste ano, houve um crescimento exponencial na ordem de 60%. Ainda neste ano, Campos terá planta instalada que produzirá energia limpa próximo de 100% da demanda do consumo do município que atualmente é de 100 MW no pico.

O secretário municipal de Petróleo, Energia e Inovação, Marcelo Neves, destaca o potencial de energia limpa fotovoltáica instalado e os investimentos que proporcionam esse destaque.“Estamos em vias de processo de instalação de mais 20 Usinas, com capacidade de instalação de 2,5 Megawatts cada, que representa mais 60 MW de geração e isso colocará Campos com um Parque de Energia Solar Fotovoltaica com geração de mais de 100 MW, ou seja, teremos energia limpa e mais barata com excedente. A energia barata é um grande vetor de atração de indústrias que busca instalar suas plantas nas regiões também com boa logística e pólo de qualificação de mão-de-obra, que felizmente Campos tem por contar com várias instituições de ensino técnico profissionalizante, com a proximidade do Porto do Açú e ser cortada por importantes rodovias federais (BR-101 e BR-356) que ligam aos grandes centros de consumo que são Rio, Vitória, São Paulo e Belo Horizonte”, avalia Marcelo Neves.

Quem acompanha de perto esse crescimento é a Federação das Indústrias do Rio, a Firjan. Segundo levantamento feito por eles, com base nos dados da Aneel, a produção das usinas solares de pessoas físicas e jurídicas de Campos trouxeram um investimento de R$ 240 milhões na cidade.

“Já estamos bem à frente de Niterói, que tem a mesma densidade demográfica de Campos. Por isso não tenho dúvidas de que a região será um expoente nacional a partir dos projetos previstos para o Porto do Açu e Macaé, que serão potencializados enormemente a partir da Estrada de Ferro 118”, destacou o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira.
Planície contribui para a facilidade de instalação / Foto: Rodrigo Silveira

Todo esse investimento tem um motivo. O município apresenta fatores que proporcionam a redução de até 40% nos custos da instalação de sistemas de geração, como a topografia em planície, inclinação dos raios e maior tempo da presença solar. O custo na instalação dos sistemas é o que atrais investidores do setor.

É o caso de uma empresa com sede na Codin, em Guarus, e também nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Especializada na distribuição de cimento, argamassa e aço, a empresa instalou energia solar há três anos, o que depois acabou gerando uma economia de 40% na conta de luz. A previsão agora é ampliar a usina solar de modo a baixar a conta em mais de 70%, viabilizando, assim, novos investimentos e geração de empregos na cidade. “Graças a essa economia, diversificamos o negócio e montamos uma fábrica que atua no corte e dobra de aço. Este projeto já cresceu cerca de 80%, tanto que vamos adquirir uma nova máquina, mas foi um investimento que só foi possível com essa economia na conta de energia”, contou Ricardo Dantas, sócio-gerente da empresa.

Ricardo ainda diz que a instalação se deu a partir da dificuldade de ajuda da concessionária. “Às vezes você investe numa máquina que consome muita energia e aí tem dificuldade de conseguir a oferta necessária por parte da concessionária, então a energia solar, além de ajudar a economizar, permite que tenhamos a oferta de energia necessária para crescer”, concluiu.

“O índice solar imétrico e a inclinação dos raios em Campos são muitos bons e outros fatores colocam Campos na prioridade dos investidores na geração de energia limpa, porque são fatores que implicam na redução de 40% na implantação de sistemas de geração. Até 2025, Campos vai gerar mais de 100% de sua demanda com energia limpa e passará a cidade do Rio, que hoje á a primeira do ranking. A indústria precisa de infraestrutura, energia e logística para escoamento da produção e isso coloca Campos num patamar diferenciado para o desenvolvimento”, aponta Marcelo Neves.
Para o economista e diretor do Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro (Nuperj),Alcimar Chagas, o que vem acontecendo na cidade é chamado por ele de "diversificação energética". Segundo o especialista, fugir da energia baseada em petróleo é uma tendência positiva que poderá ser usufruída futuramente por famílias mais pobres.

"A busca por energia mais limpa é uma tendência. Alguns projetos estão em andamento na cidade e na região a partir de grandes empresas, mas ainda muitas coisas estão no âmbito da intenção. Porém, quantomais você desenvolve a oferta, a tendência é baratear. Como a energia elétrica é monopolizada através das distribuidoras, é necessário que não se crie obstáculos. Assim, famílias de renda mediana ou mais pobres serão beneficiadas também com a queda nos valores das contas no fim do mês.", explicou Alcimar.

Painel discutiu energia, empreendedorismo e inovação
Nesta semana, entidades como Senai, Sebrae, Porto do Açu, além de universidades, se reuniram para discutir alternativas energéticas, empreendedorismo e inovação na região Norte Fluminense. A realização do Painel Regional teve como foco o tripé formado pelo empreendedorismo, através da relevância das energias alternativas para alavancar o desenvolvimento. Segundo uma observação do secretário de Petróleo, Energia e Inovação, Marcelo Neves, que participou do Painel, a região possui um grande potencial para produzir energias alternativas, como a energia verde do hidrogênio, de parques eólicos no Porto do Açú, além das 30 Usina Fotovoltaicas em Campos e municípios vizinhos. Somente as plantas de geração de energia fotovoltaica vão gerar cinco mil empregos.
Fonte: Fmanhã

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